Mercado do arroz está estagnado com preços ainda abaixo dos custos de produção

Sacas tiveram quase 20 reais de prejuízo segundo a Federarroz. (Foto: Paulo Rossi)

Um mês após a conclusão da colheita da safra 2025/2026 e há pelos menos dois do início do plantio de uma nova safra, o cenário ainda é de incertezas entre os arrozeiros para o período 2026/2027. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de arroz atingiu 11.079 mil toneladas do cereal e 10.375,8 mil toneladas do grão irrigado. O Rio Grande do Sul foi responsável por mais de 7,8 milhões de toneladas, com área plantada de 905,2 mil hectares e produtividade média de 8.641 quilos por hectare. Os números finais da safra 2025/2026 devem ser divulgados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) nos próximos dias.

De acordo com o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz), Denis Nunes, o mercado se encontra estagnado, devido à queda no preço ocorrida em junho. “O mercado fica na expectativa de novas quedas e o produtor se redime de vender a preços muito baixos”, diz. Segundo ele, os leilões realizados pela Conab não ajudaram a valorizar o produto, no entanto, evitaram de que houvesse queda ainda maior, com a retirada de parte da oferta do mercado interno e direcionada para as exportações. Nunes lembra que os preços pagos nas negociações não foram satisfatórios, com quase R$ 20 de prejuízo por saca.

Conforme ele, os números que devem ser divulgados pelo Irga não devem impactar o mercado por já estarem consolidados. “Não sabemos ainda o que vai acontecer com a próxima safra, pois ainda precisamos dirimir dúvidas em relação às negociações de dívidas, Plano Safra, entre outras”, diz. Ou seja, os produtores que conseguiram se capitalizar ainda não têm certeza de como será a próxima safra. “Temos preconizado e alertado que os estoques de passagem ainda estão altos e se não houver mais uma vez a redução da produção não teremos bons preços no futuro”, acredita.

Clima foi decisivo

Segundo a Emater, foram cultivados 166.581 hectares de arroz irrigado na região Sul na safra 2025/2026 em 20 dos 22 municípios de abrangência da Regional Pelotas. A produtividade de referência para a região ficou em 9.410 quilos por hectare. Mesmo diante das incertezas, muitos arrozeiros da região já estão com suas lavouras prontas e com as plantas de cobertura em desenvolvimento vegetativo. É o denominado preparo antecipado realizado logo após a colheita e que possibilita a semeadura do cereal já no mês setembro, época considerada ideal para a obtenção de altos tetos de produtividade.

O clima praticamente sem chuvas significativas nas últimas semanas, favoreceram estas atividades e os arrozeiros estão conseguindo adiantar o preparo das futuras lavouras da safra 2026/2027, informa a Emater em seu Informativo Conjuntural semanal. “A técnica é um dos manejos recomendados às futuras lavouras de arroz para minimizar os impactos de um El niño, que pode trazer chuvas em excesso na primavera, provocando atraso”, informa.

Os preços do arroz em casca na praça de Pelotas operaram com pequenas quedas nas cotações, com valores de R$ 60,07 por saco de 50 quilos. Este preço é para o arroz posto nas beneficiadoras e sem o desconto do INSS. Há pequenas elevações nas cotações dos preços praticados nos municípios da região, em razão da qualidade do produto, rendimento de engenho e do frete. Valores pagos aos produtores tiveram variações em alguns municípios, sendo comercializado em Santa Vitória do Palmar a R$ 56,13; em Arroio Grande a R$ 59,50; em Jaguarão a R$ 57; em Rio Grande a R$ 58,66 e em São Lourenço do Sul a R$ 63.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome