Rio Grande recebe debate sobre primeiro projeto de energia eólica offshore flutuante do Brasil

Empreendimento liderado por empresa japonesa reúne universidades, governos e setor produtivo para desenvolver nova cadeia industrial no sul do Estado. (Foto: Divulgação)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

O município de Rio Grande sediou nesta quinta-feira (7) um encontro para apresentação do projeto Aura Sul Wind, iniciativa voltada à implantação da primeira plataforma flutuante de energia eólica offshore em concreto do Brasil.

O empreendimento é liderado pela empresa japonesa JB Energy e reúne cerca de 35 parceiros, entre universidades, órgãos públicos, empresas, entidades do setor portuário e instituições de pesquisa brasileiras e internacionais.

O evento ocorreu no Salão Nobre Deputado Carlos Santos, na prefeitura do município, e contou com participação de representantes dos governos federal, estadual e municipal, além de integrantes da comunidade acadêmica e do setor produtivo.

Segundo os organizadores, o projeto busca estruturar uma nova cadeia industrial ligada à geração de energia eólica offshore no país, com foco na Região Sul do Rio Grande do Sul.

O CEO da JB Energy, Rodolfo Gonçalves, afirmou que a região formada por Rio Grande, São José do Norte e Pelotas reúne condições consideradas estratégicas para o desenvolvimento do setor.

“O Rio Grande do Sul vai ser o berço do offshore wind no Brasil”, disse durante a apresentação.

De acordo com a empresa, a plataforma flutuante será construída em concreto e terá capacidade de geração de 18,5 megawatts. A estrutura deve alcançar altura equivalente a um prédio de 11 andares.

A proposta prevê instalação em áreas afastadas da costa, modelo que, segundo os responsáveis pelo projeto, pode reduzir impactos ambientais e conflitos com atividades como pesca artesanal e turismo.

O empreendimento também prevê início de medições meteorológicas e oceanográficas a partir de outubro deste ano, com monitoramento de ventos, ondas e correntes marítimas. Os dados serão compartilhados com universidades e integrados ao sistema SIMCosta, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

Representando a prefeitura de Rio Grande, o secretário municipal do Meio Ambiente, Antônio Carlos Soler, afirmou que o projeto vem sendo acompanhado desde as etapas iniciais de licenciamento ambiental.

Segundo ele, a proposta exige diálogo entre empresa, comunidade científica e órgãos ambientais para análise de impactos econômicos, ambientais e sociais.

O Ministério do Meio Ambiente também participou do encontro. O analista de infraestrutura Ricardo Voivodic afirmou que o país tem a oportunidade de discutir previamente os impactos da nova matriz energética antes da expansão do setor.

Já o subsecretário de Infraestrutura da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema), Cristian Duarte, destacou o potencial de geração de empregos e movimentação econômica para a Metade Sul do Estado.

Segundo a JB Energy, a expectativa inicial é gerar cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos ao longo das etapas do projeto piloto e das futuras fases comerciais.

Entre os parceiros envolvidos estão instituições como Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de São Paulo (USP), Portos RS e a Marinha do Brasil.