A produção brasileira de azeites extra-virgem deve apresentar safra recorde, neste ano, com projeção de mais de um milhão de litros, sendo 80% produzidos no Rio Grande do Sul. O volume marca o avanço da produção e da qualidade no Estado, que é o maior produtor brasileiro, e o resultado combina clima favorável e evolução técnica. O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, participou, no dia 17 de abril, da 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada na sede da Azeite Milonga, no município gaúcho de Triunfo. Apesar do volume recorde, a produção nacional ainda representa entre 1% e 1,5% do consumo interno, cenário influenciado pela presença de produtos importados de menor qualidade no mercado.
Segundo Obino Filho, o azeite produzido no Brasil é considerado de alta qualidade, com desempenho comparável ao de países com maior número de premiações. De acordo com ele, o resultado da safra, que no Rio Grande do Sul deve ultrapassar 800 mil litros, está relacionado à uma combinação de fatores. “Tivemos uma conjunção aqui no Rio Grande do Sul e no Brasil de fatores climáticos que deram como resultado o que estamos colhendo hoje. Tivemos o maior número de horas de frio dos últimos 20 anos no inverno, uma primavera pouco chuvosa e, agora, um verão equilibrado e sem chuva, dando condições para colher”, afirma.

O crescimento da produção não elimina a necessidade de avanço técnico contínuo, especialmente na ampliação da produtividade, diz o dirigente. “Não adianta a gente ter o melhor azeite do mundo se não tem azeitona no pé. Vamos para dentro da porteira e apostar em pesquisa, em estudo, entender onde estamos acertando e onde estamos errando”, explica. Durante o evento, foi realizada a assinatura do protocolo de intenções para criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul. A iniciativa envolve a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Ibraoliva.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSB), destacou a importância da olivicultura para a diversificação da matriz produtiva e o fortalecimento da economia regional. Ele apontou o crescimento da cultura da oliveira nos últimos anos. “O avanço da atividade demonstra o potencial do Rio Grande do Sul para se consolidar como referência nacional na produção de azeites de alta qualidade”, pontua.
Leite também enfatizou o papel da inovação e do investimento em tecnologia para o desenvolvimento do setor, citando ações de apoio técnico aos produtores e ampliação de mercados como fatores para garantir competitividade. Além do viés econômico, o governador comentou o impacto social da cadeia produtiva. “Temos geração de emprego e renda, especialmente em regiões da metade sul do Estado. O fortalecimento da olivicultura contribui diretamente para a fixação das famílias no campo e para o desenvolvimento sustentável”, conclui.
A produção no Rio Grande do Sul
Na região Sul, continua a colheita nos pomares, que se iniciou em fevereiro e deve se estender ainda até o final do mês de abril, com plantas em boa sanidade e ótimos rendimentos. Os produtores da região não fazem comercialização da produção de frutos, mas contratam um lagar para realizar a produção de azeites, para comercialização com marcas próprias. São mais de 80 marcas e rótulos no Estado, a maioria produzidas na Metade Sul do Estado.
O Estado possui cerca de 6,5 mil hectares de olivais plantados e mais de 100 municípios com produção. A produção de azeite no Rio Grande do Sul começou a ganhar força no início dos anos 2000, com os primeiros olivais sendo plantados no território gaúcho. No entanto, a produção em escala comercial começou a ser relevante apenas a partir de 2010, quando as colheitas mais significativas ocorreram.
A maior parte dos olivais se concentra na Metade Sul, com destaque para municípios como Encruzilhada do Sul, Canguçu, Bagé e Santana do Livramento. Esta região apresenta características únicas que influenciam diretamente na qualidade e nos perfis sensoriais dos azeites ali produzidos, como clima subtropical, com estações bem definidas, favorece o cultivo de oliveiras. Invernos frios e verões quentes proporcionam as condições ideais para o desenvolvimento das azeitonas. A variação de temperatura entre o dia e a noite contribui para a maturação lenta das azeitonas, o que é benéfico para a concentração de aromas e compostos fenólicos no fruto.
A produção de azeite se concentra principalmente na Campanha e na Serra Gaúchas. Entre as variedades cultivadas estão Arbequina, Koroneiki, Arbosana, Frantoio e Coratina. A produção é beneficiada pelo uso de tecnologia moderna, como prensas e moinhos de última geração, que permitem uma extração a frio eficiente, preservando os aromas e os compostos saudáveis do azeite. Muitos olivicultores adotam práticas sustentáveis no cultivo e na produção, além de técnicas de colheita que garantem a qualidade do fruto e, consequentemente, do azeite.
O azeite gaúcho conquistou prêmios internacionais, destacando-se pela sua qualidade e perfil sensorial diferenciado. Isso tem impulsionado a visibilidade do azeite brasileiro no cenário mundial, com muitos rótulos locais sendo apreciados por chefs e especialistas.
Com essas características, a produção de azeite no Rio Grande do Sul está se firmando como um setor promissor no Brasil, contribuindo para o crescimento da olivicultura e posicionando o estado como um dos principais polos de azeite de qualidade no país.

Outras cidades que se destacam na produção de oliveiras são Caçapava do Sul, Pinheiro Machado, Dom Pedrito, Pelotas, São Sepé e Viamão. Esses locais representam o polo emergente de azeites no Brasil, com uma produção crescente e o reconhecimento internacional pela qualidade dos azeites gaúchos. A combinação de fatores climáticos, investimentos em tecnologia e a crescente experiência dos produtores locais tem levado a produção de azeite no Rio Grande do Sul a novos patamares.




