Produção de caqui resiste apesar das restrições causadas pelo clima e mercado da fruta

Thomsen é considerado o maior produtor individual da fruta no município. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

A cultura do caqui, fruta típica de Arroio do Padre e que já ocupou uma área significativa no município, está hoje restrita a um número reduzido de produtores. Ainda assim, eles mantêm a tradição e garantem a presença da fruta durante a 17ª edição da Festa Regional do Caqui e da Maçã.

Considerado o maior produtor individual da fruta no município, Valter Thomsen é um dos responsáveis por manter viva a cultura local. Com persistência e dedicação à fruticultura, ele contribui para que o evento seja um momento de celebração e uma oportunidade para degustar e adquirir produtos de qualidade e com segurança alimentar. A produção total de caqui em Arroio do Padre, que já chegou a 70 toneladas, começou a cair em 2007, afirma o produtor.

Por trás das quase duas toneladas de caqui oferecidas aos visitantes da festa, há um ano inteiro de trabalho intenso e esforços para combater um dos principais inimigos da cultura, responsável pela extinção de muitos pomares: a antracnose. A doença, caracterizada por manchas escuras na fruta, provoca o apodrecimento e a morte das plantas.

Na chácara de Thomsen, onde eram cultivados cerca de 3,5 hectares com variedades como Rama Forte, Folha Forte, Chocolate, Kyoto, Taubaté, Super Massa, Granada — que já foi carro-chefe e hoje tem produção reduzida — e Fuji, pelo menos meio hectare precisou ser eliminado para conter a proliferação da doença. “Estamos lutando contra algo que foge ao nosso controle”, afirma o produtor. Segundo ele, as variedades Kyoto e Fuji são as mais suscetíveis à antracnose, por serem mais sensíveis.

Por trás das quase duas toneladas de caqui oferecidas aos visitantes da festa, há um ano inteiro de trabalho intenso. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Thomsen planeja levar pelo menos uma tonelada de caqui para a festa. As frutas serão vendidas a R$ 8 a bandeja de um quilo e a R$ 15 por dois quilos. “Eu vou continuar a cultivar a fruta e oferecer na festa”, afirma. O produtor relata que deixou de participar do evento em apenas duas ocasiões: uma em decorrência de granizo e outra devido a enchente.

Até 2007, a cultura viveu seu auge, e Thomsen chegou a empregar dez trabalhadores por safra. Segundo ele, o caqui garantia o sustento de duas famílias, a dele e a dos pais, já falecidos. A produção era comercializada em mercados de Pelotas, Rio Grande e Bagé.

Dedicado à fruticultura desde a juventude, Thomsen aposta na diversificação. Além do caqui, cultiva diferentes variedades de goiaba, entre frutas brancas e vermelhas, e também ameixa. Como os pomares recebem o mínimo de tratamentos químicos, as frutas apresentam sabor e qualidade diferenciados. “Quando é preciso colocar algum produto, eu não vendo sem respeitar o período de carência de pelo menos três dias”, diz. “Se eu não puder comer a fruta do pé, eu não vendo”, completa.