Colheita da marcela une tradição e alerta para práticas sustentáveis no RS

Tradição da Sexta-feira Santa mobiliza colheita da planta símbolo do RS e exige cuidados para garantir preservação. (Foto: Emater-RS-Ascar/Arquivo)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

A tradição de colher marcela antes do nascer do sol na Sexta-feira Santa segue viva em diversas regiões do Rio Grande do Sul, reunindo aspectos culturais, religiosos e populares. O costume, transmitido entre gerações, ganha força no período da Páscoa, quando a planta floresce.

Instituída como símbolo do Estado pela Lei 11.858, de 2002, a marcela é uma espécie nativa que floresce apenas uma vez ao ano. No entanto, sua ocorrência natural tem diminuído ao longo do tempo, o que acende o alerta para a necessidade de preservação.

Para garantir a continuidade da espécie, a assistente técnica regional da Emater/RS-Ascar, Caroline Crochemore Velloso, orienta sobre a importância de práticas de colheita sustentável. Entre as recomendações está evitar arrancar a planta inteira e não retirar todas as flores, permitindo que o ciclo de vida se complete.

Outra orientação é realizar a secagem das plantas e devolver as sementes à natureza, contribuindo para a regeneração da marcela. O plantio, segundo a especialista, deve ocorrer entre setembro e outubro, em covas rasas, já que as sementes precisam de alta luminosidade para germinar.

A extensionista também chama atenção para o local de coleta. Áreas próximas a rodovias movimentadas devem ser evitadas, pois a planta pode absorver poluentes, como o monóxido de carbono, o que compromete suas propriedades.

Apesar da crença popular de que o orvalho da manhã da Sexta-feira Santa potencializa os efeitos da planta não ter comprovação científica, a marcela possui propriedades medicinais reconhecidas. Entre elas estão ações diurética, digestiva, anti-inflamatória, analgésica e antifebril. A planta também é utilizada em tratamentos veterinários e como inseticida natural.

A preservação da marcela, segundo especialistas, depende diretamente da conscientização de quem mantém viva a tradição, equilibrando cultura e sustentabilidade para garantir que o hábito continue nas próximas gerações.