Rios monitorados não mostram assoreamento após cheias de 2024, diz governo do RS

Dados preliminares de batimetria indicam estabilidade em áreas analisadas e embasam ações de prevenção a enchentes. (Foto: Igor de Almeida/Ascom Sema)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

O governo do Rio Grande do Sul divulgou resultados parciais de estudos de batimetria em rios e lagos considerados prioritários pelo Plano Rio Grande. Segundo os dados preliminares, não há evidências de assoreamento nos pontos analisados, com base na comparação entre medições anteriores e posteriores às enchentes de 2024.

Os levantamentos foram apresentados em março, durante evento no Palácio Piratini, e abrangem quatro regiões: o eixo Metropolitano (rios Gravataí, Sinos, Caí e Delta do Jacuí), Taquari-Antas, Baixo Jacuí e Guaíba. O trabalho é coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).

A batimetria — técnica que mede a profundidade e o relevo do fundo de corpos d’água — integra o eixo de diagnóstico do Plano Rio Grande, programa estadual voltado à reconstrução e à adaptação a eventos climáticos extremos.

Análise completa dos rios

De acordo com o governo, o levantamento tem caráter inédito por analisar de forma contínua o leito dos rios. A expectativa é que, com a conclusão dos estudos e a aplicação de modelos hidrodinâmicos, seja possível avaliar com mais precisão a necessidade de intervenções, como dragagem, para melhorar o escoamento da água.

Os estudos foram apresentados pelo governador Eduardo Leite (PSDB), pelo vice-governador Gabriel Souza (MDB) e pela secretária da Sema, Marjorie Kauffmann. O objetivo é ampliar o conhecimento técnico sobre os sistemas hídricos e orientar políticas de prevenção e gestão de riscos.

Iniciado em julho de 2025, o trabalho está em fase final nos blocos prioritários. Os dados coletados permitem simular cenários de cheias, identificar áreas de risco e apoiar o planejamento de sistemas de monitoramento e alerta.

Dados abertos e uso técnico

As informações produzidas estão sendo disponibilizadas no Portal da Infraestrutura Estadual de Dados Espaciais (IEDE). Segundo o governo, a medida busca ampliar o acesso aos dados por especialistas e órgãos públicos, além de subsidiar planos de contingência municipais e ações da Defesa Civil.

Estabilidade no Delta do Jacuí e no Guaíba

No Delta do Jacuí, a análise comparou levantamentos realizados em 2013, 2015 e entre 2025 e 2026. Foram avaliadas mais de dez seções batimétricas, consolidadas em cinco pontos de controle. O resultado indica alta similaridade entre os períodos e ausência de alterações relevantes no leito.

No lago Guaíba, a comparação entre séries históricas seguiu a mesma metodologia. A análise de dois pontos de controle também não identificou mudanças significativas, reforçando a avaliação de estabilidade.

Novos estudos previstos

Durante o evento, o governo anunciou a realização de batimetria na Lagoa dos Patos, com investimento de R$ 25,5 milhões provenientes de fundo federal voltado à recuperação e adaptação a eventos climáticos extremos. O estudo deve mapear o relevo submerso e o comportamento do fluxo de água.

Também foi anunciada uma nova etapa de levantamentos no Litoral Norte e no Alto Jacuí, com investimento de R$ 7,8 milhões do Fundo do Plano Rio Grande. A iniciativa pretende ampliar a cobertura dos estudos e aprofundar o diagnóstico hidrológico no Estado.

As ações fazem parte da estratégia do governo estadual para melhorar a gestão dos recursos hídricos e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.