
O Museu do Doce inaugurou, na terça-feira (24), a exposição “Guardar para não esquecer, narrar para reinventar: histórias sobre infâncias, memórias e arte contemporânea”. Os espaços do Casarão 8 recebem, até 10 de março, o resultado de uma ação extensionista realizada em 2025 e vinculada à disciplina de Teoria e Prática Pedagógica em Arte, ministrada pelo professor Daniel Momoli, do curso de Artes Visuais Licenciatura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com a Escola Estadual de Ensino Fundamental Francisco Simões de Pelotas.
Com objetivo de ser um conjunto de aprendizagem, a disciplina contou com 26 graduandos e envolveu cerca de 140 alunos de sete turmas do 1º ao 5º do ensino fundamental. “Esse é o momento em que a gente celebra essa parceria do museu, com a escola e com a universidade. São três instituições distintas que se juntam no mesmo espaço para pensar as artes visuais, a educação e o patrimônio. A junção dessas três instituições, dessas três áreas de conhecimento diferentes nos mostram outras possibilidades de compreendermos o que é memória, o que é patrimônio, o que podem ser as artes visuais contemporâneas e suas possibilidades”, relata o professor.

O trabalho de Momoli com a Francisco Simões se renova a cada semestre. Suas matérias dialogam com a instituição pois o professor acredita que o papel do curso de licenciatura é estar dentro da escola, entendendo suas dinâmicas, vivendo experiências e compreendendo a maneira de como trabalhar no século XXI. Foram cerca de cinco semanas entre conhecermos a instituição, preparar a proposta, ir para a escola, realizar as atividades e agora promover a exposição.
A partir de 2018, a UFPel implementou em toda integração curricular pelo menos 10% da carga horária com a extensão, segundo o Pró-Reitor de Extensão e Cultura da UFPel, Fábio Lima. “Pelo menos 10% dos currículos das universidades públicas serão escolhidos pelo território, pela comunidade que está ao redor da universidade. A formação contextualizada com o território, é uma formação tecnicamente superior e como ser humano, indiscutivelmente melhor. Estudar em livro, artigos, isso aí, inteligência artificial, hoje em dia, consegue fazer. Agora, ter essa sensibilidade, ter a motivação por pessoas, é somente essas iniciativas que podem ter”, afirma.

A diretora do museu, Nóris Leal, explica que a instituição é um laboratório da universidade e está sempre aberto para todos os cursos. “Apesar de ser um museu de história, ele tem espaço para que todos possam desenvolver os seus projetos e se desenvolver. Que a gente leve para a comunidade tudo o que é desenvolvido dentro da universidade”, declara.
Momoli explica que para dar aula de arte, é possível trabalhar para além do museu de arte, então a ideia foi partir para um museu de objetos históricos. “Ver os alunos apresentando as vivências que tiveram com os alunos é muito gratificante para mim. Logo que a gente acabou o trabalho na escola, um aluno da universidade entendeu na prática por que a arte é conhecimento. Então, isso para mim é o mais importante…os alunos se darem conta de que o conceito é um conceito vivo, que não é no livro, não é algo distante da realidade. Então, esse tipo de abordagem faz com que o aluno se dê conta do qual é o sentido da docência, da escola, do trabalho”, diz.

Para a diretora da escola, Vânia Gonçalves, a troca entre a universidade e a escola de ensino básico é muito importante para ver o crescimento dos alunos e a maturidade deles. “Fiquei surpresa com o depoimento das crianças, com o aprendizado delas. A gente está criando novas técnicas, novas ideias que os estudantes universitários introduziram lá. Porque se não é eles, a gente vai ficando no básico e essa renovação é muito importante”, conta.
Entre as obras espalhadas pelo Museu está a intervenção artística “memórias como patrimônio” feita em tecido com pinturas da turma de 3º ano. Ela convida a deslocar o olhar para entender que cada memória é matéria viva de uma herança que levamos conosco. O graduando Tiago Oliveira relata que foi muito interessante para ver o amor que as crianças têm pela escola, pela professora. Assim como a experiência foi impactante para eles no sentido de aprendizagem, é bastante motivante pra gente que tá na carreira de professor perceber como a gente influencia na vida das crianças.

O Museu do Doce, localizado na Praça Coronel Pedro Osório, em Pelotas, tem entrada franca e está aberto ao público de terça a sábado, das 13h às 18h.



