
A história do desenvolvimento industrial do sul do Rio Grande do Sul ganha um novo capítulo de valorização. A Nova Rheingantz, em Rio Grande, anunciou neste mês o lançamento do projeto “Patrimônio Industrial e Memória Operária Nova Rheingantz”, uma iniciativa voltada a visitas mediadas que busca reconectar a comunidade com o legado arquitetônico e social da antiga fábrica Rheingantz. O complexo, que está em fase de revitalização para receber novas atividades voltadas à educação, economia criativa e inovação, é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado.
No formato de visita mediada, o projeto propõe uma imersão na identidade local. O roteiro conduz os visitantes pelos espaços que um dia abrigaram centenas de teares e milhares de trabalhadoras e trabalhadores, abordando desde o processo de industrialização até o cotidiano dentro da fábrica. O objetivo é transformar o patrimônio edificado em um cenário vivo de educação patrimonial e turismo cultural.
Ricardo Henriques, Executivo de Relações Institucionais da Nova Rheingantz, explica que a iniciativa faz parte da missão do novo projeto. “O futuro desse espaço tão simbólico socialmente e historicamente passa pela sua história, e nós queremos que tudo isso impulsione a conexão da comunidade com o território e que também seja um motor para atrair mais turismo à nossa cidade”, afirma.
As visitas são mediadas e incluem um passeio interno para conhecer sobre os antigos processos de produção fabril, incluindo maquinários que ainda estão no local, além de documentos e fotografias antigas. A responsável pelas visitas é a riograndina Vanessa Avila Costa, Arqueóloga industrial, Educadora patrimonial e com pesquisas dedicadas à Fábrica Rheingantz ao longo da sua carreira.
“As visitas mediadas à antiga Fábrica Rheingantz são fundamentais não apenas para apresentar à comunidade o espaço físico, os maquinários e os artigos têxteis, bem como sua importância histórica, mas, sobretudo, para valorizar as memórias, os saberes e as experiências das ex-operárias e dos ex-operários que teceram, com seu trabalho cotidiano, a história da indústria. Ao ouvir essas narrativas e reconhecer essas pessoas como protagonistas, buscamos promover uma educação patrimonial sensível e socialmente engajada, que conecta passado e presente e fortalece o sentimento de pertencimento ao patrimônio industrial e à identidade operária”, destaca Vanessa.
Memória que vale ingresso
Um dos pontos altos do projeto é o reconhecimento daqueles que construíram essa história, garantindo a gratuidade para ex-operárias e ex-operários da fábrica nas visitas guiadas. Para acessar o benefício basta comprovar o vínculo com a fábrica, seja através de documentos, registros, fotografias ou compartilhamento de relatos e memórias do trabalho durante a visita.
A visitação também é voltada principalmente para grupos escolares, que podem aprender fora da sala ainda mais sobre a história local. Os valores dos ingressos para escolas são de R$ 15,00, enquanto para o público em geral morador da cidade o valor é de R$ 25,00. O valor para turistas é de R$ 30,00.
Agenda de fevereiro
As primeiras visitas acontecem já neste mês, no sábado (7) às 14h, e na quinta-feira (12) às 15h. Além do roteiro interno, os visitantes podem optar por uma extensão do passeio até a Vila Operária, com valor adicional de R$ 5,00 por pessoa, compreendendo a relação urbanística entre a fábrica e a moradia de trabalhadores e trabalhadores.



