Festival Internacional Sesc de Música cria cápsula do tempo que será aberta na 20ª edição do evento

Pela primeira vez, público, alunos e professores são convidados a registrar memórias e experiências do festival, que ficarão guardadas para leitura em 2032. (Foto: Paulo Rossi)

Pela primeira vez em sua história, o Festival Internacional Sesc de Música de Pelotas propõe um gesto que atravessa gerações. Em sua 14ª edição, o evento lança uma cápsula do tempo, iniciativa que convida alunos, professores, moradores da cidade e visitantes a registrarem lembranças, impressões e emoções vividas durante o festival. Os depoimentos serão guardados e só voltarão a ser revelados durante a 20ª edição do evento, que tem realização prevista para 2032, transformando a experiência musical em memória preservada.

Conforme o coordenador de Música e AudioVisual do Sesc/RS, Anderson Mueller, a ação dialoga diretamente com o tema desta edição, O Tempo e a Música, que orienta tanto a programação artística quanto as atividades formativas do evento. “A proposta é refletir sobre a música como expressão simbólica e histórica, capaz de atravessar épocas, carregar afetos e registrar vivências coletivas”, explicou.

As mensagens estão sendo recolhidas no Lounge do Festival, instalado ao lado do Mercado Público de Pelotas, e em pontos como o Theatro Guarany e a Praia do Laranjal, durante apresentações. A provocação que orienta os depoimentos é simples e direta, mas carrega forte carga simbólica: “Que lembrança do Festival Internacional Sesc de Música de Pelotas você gostaria que o futuro guardasse?”. A pergunta convida cada participante a pensar o presente como herança, transformando experiências individuais em memória coletiva.

Quem já participou nessa edição foi a Andréia da Silva Goularte. Ela saiu de um longo expediente de trabalho em um restaurante da região central de Pelotas para curtir um concerto de harpas no fim de tarde, apresentado no Lounge do Festival. A lembrança de um momento de relaxamento e apreciação artística ao lado dos colegas foi, justamente, o que escreveu para guardar na cápsula. “É a memória de que a gente saiu do trabalho, tomou um rico cafezinho no Mercado e veio pra cá escutar uma boa música. É um alívio para o fim do dia”, contou.

Na fila do Theatro Guarany para acessar um concerto de tango argentino, Leandro Cerqueira Vasconcellos, a esposa Juliana da Silva Ferreira e o filho dele, Danilo Bravim Vasconcellos, de onze anos, também deixaram um registro na cápsula. “Colocamos a lembrança deste momento e o desejo de ver na programação uma apresentação de orquestra no estilo musical de rock”, desejou o capixaba, que vive em Pelotas há quatro anos.

Após o encerramento desta edição do Festival, que segue até o dia 30, as mensagens de todas as cápsulas serão reunidas em uma só estrutura. Ela será guardada e mantida em exposição no Sesc Pelotas até o momento de sua abertura futura.