*João Francisco de Catro Collares Professor
A democracia brasileira, conquistada com esforço e marcada por avanços e retrocessos, continua sendo alvo de críticas e desafios. Não se trata apenas de um regime formal, mas de uma prática
cotidiana que exige responsabilidade, ética e compromisso com o bem comum. Quando confundida com permissividade ou reduzida
a mero jogo de interesses, corre o risco de se tornar frágil, vulnerável e incapaz de responder às necessidades da sociedade.
O papel dos partidos políticos
Os partidos políticos são pilares fundamentais da democracia, mas no Brasil se multiplicaram de forma desordenada, muitas vezes mais por conveniência do que por compromisso com projetos de país. Não necessitamos de um número tão grande de legendas, cada uma criada para representar nichos específicos ou interesses imediatos. Não precisamos de um partido exclusivo para trabalhadores, outro apenas para o meio ambiente, nem de partidos que defendem o autoritarismo ou ideologias que historicamente não deram certo e continuam a falhar.
O excesso de siglas fragmenta o debate, dificulta a governabilidade e transforma o processo eleitoral em um mercado de alianças oportunistas. Em vez de fortalecer a cidadania, muitos partidos acabam reproduzindo práticas antigas de clientelismo, corrupção e demagogia.
O Brasil precisa de partidos sólidos, com identidade clara, que defendam explicitamente a democracia em seus estatutos e que se comprometam com o combate a qualquer forma de autoritarismo. Mais do que isso, é necessário que assumam responsabilidade diante da sociedade, evitando que ideologias extremistas se infiltrem e fragilizem o sistema democrático.
Desafios atuais
Às vésperas de novas eleições, em 2026, observa-se novamente
a tendência de partidos e candidatos se curvarem a pequenas forças organizadas, em busca de votos a qualquer custo. Essa prática compromete a autenticidade da democracia e transforma o processo eleitoral em um mercado de barganhas.
A democracia não pode ser confundida com libertinagem, nem reduzida a um regime que se autodestrói por falta de firmeza. Ela exige maturidade, clareza de princípios e coragem para enfrentar os vícios que historicamente a corroem.
Caminhos para o futuro
O Brasil tem diante de si a oportunidade de consolidar uma democracia mais sólida e responsável. Para isso, é preciso:
a) Reforçar a transparência nos partidos e nas campanhas eleitorais.
b)Valorizar a ética política, punindo práticas de corrupção e
clientelismo.
c) Promover a educação cívica, para que os cidadãos compreendam que democracia é participação consciente, não apenas voto.
d) Fortalecer instituições que garantam o equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.
Conclusão
A democracia brasileira não pode ser apenas uma formalidade ou
um discurso vazio. Precisa ser vivida com coragem, defendida com firmeza e estruturada em partidos que realmente representem o povo e seus interesses legítimos.
O futuro do país depende da capacidade de transformar a democracia em prática autêntica, capaz de resistir às tentações da demagogia e às pressões de grupos que buscam apenas vantagens próprias.



