São Lourenço do Sul enfrenta problemas com qualidade da água

O prefeito Zelmute Marten (PT) compartilhou uma imagem através das redes sociais, demonstrando a situação da água no centro da cidade na noite de quinta-feira (8). (Foto: Divulgação/Corsan)

A região urbana de São Lourenço do Sul tem enfrentado graves problemas no abastecimento de água da empresa Corsan/Aegea durante os primeiros dias de 2026. Em alguns momentos a empresa deixou de fornecer água em diversas regiões e, até agora, moradores relatam que a água está escura e inutilizável. O prefeito Zelmute Marten (PT) compartilhou uma imagem através das redes sociais, demonstrando a situação da água no centro da cidade na noite de quinta-feira (8).

Apesar das demonstrações, o diretor institucional da Diretoria Sul da Corsan/Aegea, André Borges, informou que o água fornecida não está suja, restando apenas pontos isolados. Borges ressaltou ainda que os clientes que ainda estiverem com problemas na qualidade da água devem entrar em contato com a empresa para atendimento individualizado. O diretor informou ainda que o período de desabastecimento ocorrido entre os dias 2 e 5 de janeiro ocorreu devido a rompimento de uma adutora. “Na sexta-feira ocorreu o rompimento de uma adutora de 300 milímetros, que abastece toda a cidade, e isso foi a causa do desabastecimento. Nós consertamos na sexta-feira, e o sistema ficou recuperando no sábado e domingo” pontuou.

Prefeito publicou uma foto da água que serviu direto da torneira em sua residência nas plataformas digitais. (Foto: Arquivo pessoal)

O prefeito Zelmute Marten (PT) relatou que há um descumprimento do contrato de concessão da Corsan/Aegea, pela ausência de investimentos em modernização da rede de distribuição de água. Marten ainda afirma que o executivo municipal prepara uma reunião com o presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS), Corsan/Aegea, CEEE Equatorial e empresários do ramo turístico para debater soluções para o município. O encontro deve ocorrer no dia 21 de janeiro, no gabinete da Prefeitura.

“O contrato existente, que foi assinado em 2024 e transformou o contrato de programa numa concessão até 2062, não foi apresentado para a comunidade e não teve avaliação da Câmara de Vereadores, então nós o interpretamos como um contrato sem base legal. O processo de privatização em si também tem contradições, porque o marco regulatório nacional do saneamento prevê que os serviços de água, tratamento de esgoto, drenagem urbana e resíduos sólidos sejam trabalhados de maneira integrada pelo mesmo ente. Entretanto, o governador entregou para a Corsan/Aegea a água e o esgoto e deixou com os municípios a drenagem e os resíduos. Então nós consideramos que essa também é uma ilegalidade na natureza do processo de privatização” pontuou Marten.

O chefe do executivo relatou também que a gestão está contratando o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para assessorar a modelagem da criação de uma empresa pública municipal de água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos. Ainda durante a reunião do dia 21, deve ser instaurado o departamento municipal de água, esgoto, resíduos e drenagem, já previsto em lei no município.

Além disso, pontua que o governo está encaminhando um processo de cassação da concessão e de estatização desses serviços. “Para que a prefeitura passe a realizar esses serviços numa relação de maior proximidade com a população, com o setor empresarial, e com a Câmara de Vereadores. Hoje há um ambiente de caos, de profunda indignação acerca tanto do desabastecimento do fornecimento de água quanto da péssima qualidade da água que vem sido fornecida” finalizou.