Natal impulsiona empreendedorismo e gera renda no fim de ano

Biscoitos personalizados e mini cake donuts são destaques na produção de Enelise Ramos; No setor de artesanato, Silvana Nunes transmite afeto e criatividade com guirlandas e enfeites para decoração. (Foto: Arquivo pessoal)

A chegada do Natal movimenta não apenas o comércio tradicional, mas também o mundo dos pequenos empreendedores, que encontram no fim do ano uma das melhores oportunidades para aumentar a renda. Enquanto muitos colocam receitas de família em prática, outros adaptam cardápios, aprimoram técnicas de costura ou investem em peças artesanais, impulsionando a economia local. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis em cada dez profissionais autônomos atuam na informalidade – um cenário que ganha maior visibilidade nesta época do ano.

No setor da confeitaria, a procura por panetones, trufas natalinas, bolos temáticos e sobremesas personalizadas cria um mercado aquecido. De acordo com um estudo da ZupGo, em parceria com a Associação Brasileira de Comércio de Artigos para Festas, cerca de 45% dos confeiteiros atuam de maneira informal, aproveitando a alta demanda para consolidar pequenos negócios caseiros. Para muitos, o Natal representa mais do que aumento nas encomendas; é também um período de fidelização de clientes para o ano seguinte.

Esse é o caso da confeiteira Enelise Ramos, que trabalha com mini cake donuts desde o início de 2024, quando percebeu que nas datas comemorativas as vendas aumentavam exponencialmente. “Chegando perto do Natal, tive a ideia das caixinhas personalizadas natalinas que foram um sucesso desde o primeiro post, tive que triplicar a quantidade de insumos para encomendas. Olhando vídeos na internet surgiram as ideias dos biscoitos no Natal do ano passado e pensei ‘por que não né?’. E deu muito certo também!”, contou.

O Facebook Marketplace foi um dos aliados de Enelise para a divulgação do seu trabalho. (Foto: Arquivo pessoal)

O Facebook Marketplace foi um dos aliados de Enelise para a divulgação do seu trabalho. Mesmo após as festas de fim de ano, as encomendas não pararam. “Este ano, desde o lançamento do catálogo de Natal, o produto mais procurado são os biscoitos natalinos, além de serem lindos são deliciosos. Minha inspiração vem de outras profissionais, pegando uma ideia daqui outra dali, e começo a criar algo que seja meu, que tenha minha identidade”, explicou.

Segundo a confeiteira, nesta temporada natalina o faturamento triplica, pois a procura por lembrancinhas para colaboradores e clientes é muito grande, e as expectativas de vendas são bem maiores, com produções diárias para dar conta das encomendas, conciliando cozinha, casa e filhos. “As pessoas, geralmente, procuram preço. É lógico que, de empresas grandes, os valores são mais acessíveis do que do pequeno empreendedor, pois o trabalho artesanal não tem preço. Natal não é só vender, é levar o sabor e a magia em cada biscoito e mini cake donuts com muito amor, cuidado e carinho”, completou.

Identidade e afeto conquistam clientes interessados em decoração
No artesanato, o movimento é semelhante. Empreendedores da costura criativa, customização e produção de enfeites natalinos encontram, neste período, um espaço para expor suas peças e alcançar novos públicos. Guirlandas, jogos de mesa, bonecos decorativos e presentes personalizados ganham destaque em feiras, redes sociais e vendas por encomenda. A fabricação manual, com identidade e afeto, atrai consumidores que buscam alternativas ao comércio em larga escala e valorizam o trabalho local.

Mesmo trabalhando como arquiteta, Silvana Nunes faz renda extra como artesã. A ideia de começar a produzir encomendas especiais para o Natal surgiu a partir da demanda de quem já era cliente, comprava itens de feltro com outras temáticas e que tinha o desejo de decorar e presentear de forma única, com peças artesanais. “Para quem produz de forma artesanal e autônoma, a temporada de Natal começa já em setembro/outubro. Dessa forma, é possível manter alguns itens disponíveis a pronta-entrega, reduzindo o tempo de espera e permitindo que em dezembro ainda sejam aceitos pedidos personalizados”, contou.

Atualmente, a temporada de Natal representa cerca de 20% do faturamento anual de Silvana. (Foto: Arquivo pessoal)

Nesta época, os itens mais procurados, segundo Silvana, são voltados à decoração, com destaque para as guirlandas e para os pingentes de árvore. “Esses itens são os mais procurados por serem completamente diferentes dos encontrados em lojas, tanto pela durabilidade e qualidade de cada peça, quanto pela possibilidade de serem personalizados do jeito que a cliente quiser, tornando cada peça única e especial”, explicou.

Atualmente, a temporada de Natal representa cerca de 20% do faturamento anual de Silvana. Ela conta que esse valor já foi maior em outros anos, e isso mudou a partir da diversificação dos itens que produz ao longo do ano. Ainda assim, a data permite um retorno financeiro importante, exigindo preparo de estoque, tanto de itens disponíveis a pronta-entrega quanto dos próprios materiais e insumos utilizados. “Essa diversificação ao longo do ano se torna importante justamente pelo fato de que é necessário ‘vender bem’ o ano inteiro, para permitir que se tenha o capital necessário para investir na temporada natalina. Nesse período, as vendas têm sim um aumento significativo, e não apenas de itens com a temática de Natal, que ainda sim predominam, entretanto, itens para presentear também tem aumento de vendas”, garantiu.

A empreendedora afirmou que a data continua sendo uma das melhores e mais desafiadoras do ano para obter uma renda extra, mas que com organização, dedicação e inovação, se alcança êxito nas vendas. “E parte desse sucesso é construído ao longo do ano. E esse é um ponto importante: conquistar a cliente para que ela acredite no teu produto e na tua entrega, e compre contigo o ano inteiro, e no Natal, época em que a concorrência é grande. Empreender nessa época do ano tem um significado muito além do retorno financeiro”, concluiu Silvana.

Além da renda extra, o fim de ano se torna também um momento de reinvenção. Muitos profissionais veem no Natal uma oportunidade para testar novos produtos, diversificar portfólios e transformar habilidades pessoais em fonte de sustento. Em meio aos desafios do empreendedorismo informal, a data reforça a importância de políticas públicas e capacitações que fortaleçam os negócios de pequeno porte, responsáveis por movimentar a economia e gerar impacto direto nas comunidades.