Por Cesar Mattos, poeta
Meu amigo mais antigo
Que inda estava por aqui
Eu lembro, desde guri
Das tardinhas de milongas
Na casa da Dona Tereza
Mãe de duas belezas
Que nós dois nos azanhava
Eu me casei com a Nina
E tu seguiu tua sina
Seguiu no mundo cantando
E para todos espalhando
Tuas canções da fronteira
Que foi sempre tua maneira
De homenagear o teu pago
Por isso que trago a trago
Sorvendo meu chimarrão
Cisco a brasa do fogão
Para o fogo reavivar
Dou asas ao pensamento
Para poder te lembrar.
Por isso querido amigo
Tu deixaste o teu legado
E a história do teu passado
Um dia vai ser contada
Muita gente ainda te ama
E os gaúchos de Uruguaiana
Nunca irão te esquecer
Por que além da tua música
Em um último escaramuço de vida
Tu não quiz deixar ferida
No coração da tua gente
Morreu assim de repente
Bem distante do teu pago
Mas deixou pra eles o afago
Das canções de tua era
Que ficarão pra semente
Tuas canções Chagas Leite
Hão de ficar para sempre.
Mas meu amigo João
Tenho certeza que estás
Em um lugar melhor que este
Só te mudou de querência
Vamos sentir tua ausência
Mas seguiremos no más
Serás sempre o capataz
Das canções de Uruguaiana
Vais deixar como herança
Pra os antigos e pra os guris
Tuas músicas pampeanas
Pra todos lembrar de ti.




