João Chagas Leite

Cesar Mattos, poeta. (Foto: Arquivo pessoal)

Por Cesar Mattos, poeta

Meu amigo mais antigo

Que inda estava por aqui

Eu lembro, desde guri

Das tardinhas de milongas

Na casa da Dona Tereza

Mãe de duas belezas

Que nós dois nos azanhava

Eu me casei com a Nina

E tu seguiu tua sina

Seguiu no mundo cantando

E para todos espalhando

Tuas canções da fronteira

Que foi sempre tua maneira

De homenagear o teu pago

Por isso que trago a trago

Sorvendo meu chimarrão

Cisco a brasa do fogão

Para o fogo reavivar

Dou asas ao pensamento

Para poder te lembrar.

 

Por isso querido amigo

Tu deixaste o teu legado

E a história do teu passado

Um dia vai ser contada

Muita gente ainda te ama

E os gaúchos de Uruguaiana

Nunca irão te esquecer

Por que além da tua música

Em um último escaramuço de vida

Tu não quiz deixar ferida

No coração da tua gente

Morreu assim de repente

Bem distante do teu pago

Mas deixou pra eles o afago

Das canções de tua era

Que ficarão pra semente

Tuas canções Chagas Leite

Hão de ficar para sempre.

 

Mas meu amigo João

Tenho certeza que estás

Em um lugar melhor que este

Só te mudou de querência

Vamos sentir tua ausência

Mas seguiremos no más

Serás sempre o capataz

Das canções de Uruguaiana

Vais deixar como herança

Pra os antigos e pra os guris

Tuas músicas pampeanas

Pra todos lembrar de ti.