
*Por Estela Maria Eidt Rovedder – professora da rede municipal de Vera Cruz (RS).
A educação dos jovens do campo tem ganhado novas dimensões. Mais do que garantir acesso ao conhecimento, ela precisa ter sentido e gerar impacto real no cotidiano, contribuindo para a gestão das propriedades, para a adoção de práticas inovadoras e para o fortalecimento da agricultura familiar. Educar o jovem do campo é, acima de tudo, apostar em um futuro mais sustentável e empreendedor para o meio rural.
Por isso, iniciativas que aproximam a escola da realidade local são essenciais. Quando projetos educativos promovem experiências em que os estudantes refletem sobre o ambiente em que vivem, exercitam a criatividade e participam ativamente da construção do conhecimento, o resultado é transformador. O jovem passa a perceber o campo como um território de oportunidades e se torna capaz de aplicar seu conhecimento na resolução de problemas, enxergar novos horizontes e partilhar com seus pares, criando uma espiral de inovação.
Nesse contexto, vejo o Programa Boas Práticas de Empreendedorismo para a Educação, do Instituto Crescer Legal, como uma iniciativa exemplar. O programa traz aos educadores e alunos a oportunidade de vivenciar metodologias ativas que aliam teoria e prática, estimulam a curiosidade e despertam reflexões profundas sobre temas como empreendedorismo e sustentabilidade, que são pilares indispensáveis para o desenvolvimento rural.
A aplicação dessas metodologias mostra que o aprendizado pode ser envolvente. Ao propor desafios, experimentações e atividades colaborativas, o programa incentiva o protagonismo dos estudantes e fortalece o papel dos professores como mediadores do conhecimento. Em sala de aula, notamos o entusiasmo dos jovens ao perceberem que aquilo que aprendem faz sentido em suas vidas.
As atividades bem organizadas e planejadas de forma assertiva, fazem toda a diferença na nossa caminhada. Nos sentimos seguros para compartilhar as práticas e aplicá-las no cotidiano da sala de aula. Por isso, participar do Boas Práticas tem sido uma experiência muito enriquecedora. Ao realizar algumas das metodologias ativas propostas percebi um grande envolvimento dos estudantes, que gostaram de participar porque, além de interessantes e desafiadoras, possibilitam a aplicação a estudantes de diferentes níveis e idades.
E nós educadores também pudemos enriquecer a nossa prática, refletir, trocar com os colegas, conhecer novas realidades e partilhar os desafios e também as experiências positivas do cotidiano educativo. Vejo no Programa Boas Práticas a aplicação do provérbio africano que diz que “é preciso toda uma aldeia para educar uma criança”. Ou seja, somando esforços de vários segmentos da sociedade teremos jovens mais preparados e capazes de aplicar o conhecimento adquirido na escola.



