Artista pelotense leva reflexão sobre ancestralidade e natureza à Bienal da Amazônia

Mario Schuster aborda a relação de pertencimento e interdependência entre os povos originários e o ambiente em que vivem atualmente. (Foto: Divulgação)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

O artista plástico pelotense Mario Schuster representa o Rio Grande do Sul na Bienal da Amazônia, que acontece em Belém do Pará, entre 8 e 28 de novembro, durante o período da COP 30. Organizado pela Art 3 Gallery, o evento tem curadoria de Rosita Cavenaghi e integra a Bienal Somos Todos Amazônia, iniciativa apoiada pela ONU e instituições governamentais, que busca conectar arte, ancestralidade e sustentabilidade.

Schuster participa com a obra Urihipë: terra mãe (acrílico sobre tela, 140 x 100 cm, 2023). O título, que significa “a nossa floresta-terra”, é uma homenagem à cosmovisão dos povos originários e à relação de interdependência entre ser humano e natureza — tema central do trabalho do artista.

“Procuro questionar o paradoxo da realidade dos povos originários que transitam entre a cultura ocidental dos colonizadores e a sua própria cultura”, explica Schuster. “A obra não nos apresenta uma resposta, mas um encontro de forças. É uma meditação sobre a fé que viajou os oceanos e o espírito da terra que a acolheu, transformando-a em algo novo e, ao mesmo tempo, profundamente antigo.”

Na pintura, o artista propõe uma reflexão sobre o verdadeiro significado de “encontro” entre culturas — se como dádiva a ser compartilhada ou fronteira a ser respeitada. O colar indígena retratado, segundo ele, simboliza a vida que resiste e floresce, mesmo sob o peso da história. “A obra é um convite ao olhar interior, para confrontarmos nossas próprias certezas”, afirma.

Arte sem fronteiras
Enquanto participa da Bienal da Amazônia, Schuster também marca presença internacional com três obras expostas na Graving Art Gallery, em Roma, até 9 de novembro. As obras, reunidas sob o tema “Guarda qui e prospettivas contemporâneas”, discutem a forma como as pessoas experimentam o mundo contemporâneo — muitas vezes mediadas pela tela do celular.

O artista reflete sobre o hábito moderno de registrar imagens em vez de vivê-las plenamente. “Vivemos a necessidade de mostrar o que vimos, mais do que sentir o que estamos vendo”, comenta Schuster sobre o conceito de suas obras em exibição na capital italiana.

Da ciência à arte
Nascido em Pelotas, Mario Schuster iniciou seu contato com as artes ainda na pré-adolescência, nas aulas de Nesmaro (Nestor Marques Rodrigues, 1917–1981). Formou-se em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mas o fascínio pelas artes visuais o levou a cursar Bacharelado em Artes Visuais – Pintura, também na UFPel (2004–2007).

Desde então, construiu uma trajetória marcada por pesquisas sobre natureza, cultura e percepção, integrando ciência e sensibilidade artística. Seu trabalho já foi exibido em diversas cidades do Brasil e do exterior — como Buenos Aires, Lisboa, Barcelona, Amsterdã, Helsinque e México — e participou de uma residência artística na ArtHouse Holland, em Leiderdorp, nos Países Baixos.

Atualmente, Schuster mantém o Laguna Casa/Atelier/Espaço de Arte, em Pelotas, onde promove exposições, debates e residências artísticas. Além da pintura, ele explora linguagens como desenho, música, videoclipes e filmes, incorporando observações cotidianas e elementos naturais em suas criações.