
Com 19,2 mil matrículas distribuídas em cursos de qualificação profissional, técnicos de nível médio, de graduação e pós-graduação, o Câmpus Pelotas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul) completa 82 anos, neste sábado (11). Ao longo da semana, a instituição promoveu uma série de atividades que destacam sua trajetória, conquistas e o impacto social e tecnológico construído ao longo de oito décadas.
Para o diretor geral da instituição, Rafael Krolow, o marco de 82 anos representa muito mais do que apenas uma data comemorativa. “Representa o compromisso da instituição com a oferta de educação profissional, científica e tecnológica gratuita e de excelência que visa a transformação de vidas ao longo de várias gerações. Para a instituição e sua comunidade acadêmica, essa data histórica representa um sentimento profundo de orgulho, pertencimento e responsabilidade com a continuidade de um legado educacional transformador”, expressou.

Longa história
A história do Instituto Federal começa em 1917, quando o prédio abrigava a Escola de Artes e Officios, que em 1930 passa a ser a Escola Technico-Profissional – instituída pelo município para viabilizar seu funcionamento. A Escola Técnica de Pelotas (ETP), em 1942, é criada pelo Presidente Getúlio Vargas. É inaugurada em 1943 e tem o início de suas atividades letivas em 1945.
No ano de 1959, a Escola Técnica de Pelotas passa a autarquia Federal, e em 1965 passa a se denominar Escola Técnica Federal de Pelotas (ETFPEL). A transformação em Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas – CEFET-RS ocorreu em 1999, o que possibilitou, além da oferta dos Cursos Técnicos de Nível Médio, oferta de Cursos Superiores e de Pósgraduação, incentivando ainda mais a pesquisa, a elaboração de projetos e convênios, com foco nos avanços tecnológicos.

Posteriormente passou a fazer parte do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), integrante da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, criado a partir do CEFET-RS, em dezembro de 2008. Hoje, o IFSul é formado por 14 campi no RS. Em Pelotas, está localizada a reitoria, o câmpus Pelotas e o câmpus Pelotas – Visconde da Graça (CaVG).
Educação verticalizada e núcleos de extensão
O Instituto Federal tem como pilar a verticalização do ensino, ofertando educação profissional e tecnológica em diferentes níveis e modalidades de ensino. No câmpus Pelotas, estão em funcionamento 17 cursos de nível técnico. Quanto aos cursos superiores de graduação presenciais, a oferta atual contempla oito cursos. Na Pós-Graduação, há um curso de Especialização presencial, dois cursos de Mestrado e um curso de Doutorado, todos eles ofertados na modalidade presencial.

O instituto atende uma média de 4 mil alunos presencialmente por ano, orientando, formando e colocando no mundo do trabalho, jovens aptos a iniciarem uma carreira com competência e profissionalismo. A unidade tem 55 salas de aula, 120 laboratórios específicos e 41 oficinas. Além disso, conta com quadras de esportes, biblioteca, ambientes de estudos, refeitório e mais, tudo gratuitamente.

O câmpus também abriga diversos núcleos que fortalecem suas ações de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inclusão. Entre eles, o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne); o Núcleo de Gênero e Diversidade (Nuged); o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi); o Núcleo de Acompanhamento e Desenvolvimento Educacional (Nade), entre outros. Juntos, esses núcleos representam o compromisso do Instituto com uma educação inclusiva, inovadora e socialmente comprometida.
Instituto feito de pessoas
O docente Tauã Cabreira, de 36 anos, trabalha há 13 deles no câmpus Pelotas. Ele foi um dos usuários da verticalização do ensino. Cabreira foi aluno, tutor, professor e graduando na instituição. Ele é um exemplo de como o IFSul pode construir um profissional completo. “Tenho muito orgulho de ter estudado aqui. O IFSul transforma vidas, eu sou uma prova disso. Uma pessoa humilde entra aqui e consegue crescer além do profissional, mas como pessoa, pois temos um ensino completo que une Educação, Ciência e Tecnologia”, disse.

Ligia Maciel também faz parte da história da instituição. Ela ingressou durante a ETFPEL em 1974 como aluna do Curso de Telecomunicações e em 1976 começou a trabalhar como estagiária no antigo Departamento de Ensino. Logo após, ingressou por concurso como servidora.

“Tudo me orgulha nesta casa e não somente eu, há um grupo de ex-alunos constituído dos egressos da ETP, que até hoje, no dia 11 de outubro, comemoram com orgulho extremo terem sido alunos aqui. É bonito de ver o amor que esses ex-alunos carregam no peito. Todos são unânimes em dizer que foi nesta casa que eles aprenderam e fizeram dos ensinamentos o caminho vitorioso de suas vidas. Aqui eu cresci profissionalmente e construí minha via pautada nos ensinamentos não só dos meus pais, mas também dos meus professores”, relatou a servidora.
Ligia explica que atua no setor de extensão, onde há o Núcleo de Economia Solidária que tem desenvolvido assessoria à empreendimentos de trabalho, como cooperativas e associações especialmente de catadores de recicláveis, cursos de Formação Inicial e Continuada. Dentre eles o Programa Mulheres Mil, voltado à mulheres em situação de vulnerabilidade. “Temos muitas ações que são realizadas não somente aos alunos dos cursos regulares, mas aos demais da nossa comunidade”, contou.
O aluno de Ensino Superior de engenharia elétrica, Henrick Hertel, de 21 anos, retornou à instituição há seis meses após ter cursado o ensino médio integrado em química. “Foi bem interessante voltar, a gente reencontra amigos, bate aquele sentimento de estar em casa de novo, ainda mais por ter passado quatro anos aqui. Então, estou nessa jornada, mais cinco anos pela frente na graduação. O ensino que tive, posso dizer que foi graças a ele que eu consegui o que consegui, foram aprovações em duas instituições, incluindo a Universidade Federal do Rio Grande (FURG)”, explicou.

David Votto, Lara Nunes e Juliana Vieira são colegas do 1º semestre de Química. O ingresso no curso tem sido tranquilo, mas explicam que para eles, o IFSul é um “outro mundo”. Ainda em uma caminhada recente, os estudantes estão se adequando com as novidades do ensino integrado e já se mostram animados para as práticas laboratoriais.

As comemorações continuam
Até sexta-feira (10), das 9h às 18h, os visitantes poderão acompanhar a Mostra de Cursos e Áreas conhecendo um pouco de cada área de atuação e descobrir qual curso está mais alinhado com seus interesses e habilidades, além da Mostra Científica e Tecnológica, onde terão a oportunidade de conhecer projetos inovadores, experimentos práticos e pesquisas desenvolvidas pelos estudantes. No sábado (11), o IFSul estará de portas abertas, das 9h às 12h, para aqueles que não se inscreveram previamente na visitação.

Como fazer parte?
As inscrições para o vestibular de verão 2026 do IFSul estão abertas até o dia 20 de outubro. São 676 vagas ofertadas somente no câmpus Pelotas. As oportunidades são para cursos técnicos integrados, concomitantes e subsequentes e superiores de graduação. Mais informações no site https://www.pelotas.ifsul.edu.br/noticias/inscricoes-abertas-para-o-vestibular-de-verao-do-ifsul.



