
São Lourenço do Sul viveu, mais uma vez, momentos de medo e tensão em virtude de fortes chuvas que atingiram o município entre a sexta-feira (22) e o sábado (23). O acumulado total chegou a 300 milímetros em menos de 48 horas.
De acordo com as informações repassadas pela Prefeitura, cerca de 2 mil casas foram atingidas pelo transbordamento do arroio São Lourenço na zona urbana. Ao todo, 39 pessoas ficaram desabrigadas e foram acolhidas no abrigo montado na Comunidade Nossa Senhora de Fátima. Outras 500 pessoas foram desalojadas e buscaram auxílio na casa de parentes.
A população atingida contou com a ajuda do restante da comunidade, que se uniu em uma corrente de arrecadação de doações. A Prefeitura adquiriu 100 cestas básicas em caráter emergencial. A Defesa Civil do Estado encaminhou 200 kits de alimentos, 200 kits de higiene, 200 colchões e 200 kits de limpeza. A mesma quantidade de kits de limpeza foi encaminhada pela Prefeitura de Eldorado do Sul, o município mais atingido pelas enchentes de 2024. Do Governo Federal, através da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), 1 mil cestas de alimentos foram encaminhadas ao Município.
Na quarta-feira (27), todas as famílias atingidas já haviam retornado às suas residências para, mais uma vez, levar adiante o trabalho de reconstrução.
Entre essas pessoas está o empresário Murilo Coitinho, que há nove anos vive em uma casa na alameda Mano Serpa. Apesar da água não ter invadido a casa – estrategicamente construída em elevação – ele conta ter ficado ilhado e que só conseguiu sair de casa de barco. “A água subiu muito mais rápido do que nas enchentes anteriores. Eu cheguei em casa à 1h da manhã e não tinha água nas ruas. Às 6h da manhã já estava tudo coberto de água. “Toda vez que chove sempre vem aquela preocupação. Por morar perto do Arroio precisamos sempre estar ligados”, disse. Para ele a enchente da última semana foi maior do que as anteriores, perdendo apenas para a grande enxurrada de 2011.
Não muito longe dali, o mecânico Luís Carlos, que há 55 anos mora às margens do arroio diz estar acostumado com as cheias. “Na enchente da semana passada a água chegou a um metro de altura dentro da oficina. Na de 2024, chegou apenas a meio metro”, observou. Prevendo uma possível inundação ele havia retirado os carros dos clientes antes do rio transbordar, o que evitou maiores prejuízos.
“Eu estou a vida inteira aqui, então eu já estou acostumado às cheias. Eu sei que se chover 100 milímetros lá no interior, o arroio sai do leito e com pouco mais de 200 milímetros entra na minha oficina. Infelizmente, já estamos acostumados a essa situação”, disse.
No ginásio de esportes, Complexo MD, os administradores Maicon Lucas e Douglas Neumann, também se ocupavam da limpeza no início da semana. Em pouco mais de um ano, esta é a segunda vez que o local fica inundado. No ano passado, apenas quatro dias depois de assumirem o local, os dois tiveram que enfrentar a enchente de maio.
“A situação de momento é de muito trabalho, estamos fazendo as devidas manutenções, avaliando quais correções estruturais se precisa fazer junto ao proprietário do imóvel, pois não depende só de nós para retomar a operação. Limpezas básicas já foram feitas, ficando apenas as demandas estruturais”, contaram.
Calamidade pública
Em entrevista ao JTR, o Prefeito Zelmute Marten (PT) informou que o decreto de calamidade está sendo finalizado e pretende-se que tenha 180 dias de vigência.
“Nós precisamos formalizar para a Defesa Civil Estadual e para a Defesa Civil Federal, que estamos em situação de colapso, para atender todas as necessidades que temos de infraestrutura urbana e rural, além das ações humanitárias para as famílias atingidas” relatou.
O chefe do Executivo salienta que o município está buscando soluções para as cheias, como a instalação da sala de monitoramento climático. Marten, também esteve em reunião com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde busca a contratação de um Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos (PMAT).
“Com isso se poderia contratar projetos de engenharia, em especial três investimentos relacionados à prevenção como a divisão da área urbana em bacias e a estruturação de investimentos em macrodrenagem; a continuidade das obras de construção de gabiões nas margens do arroio São Lourenço e do arroio Carahá e, eventualmente, nas enseadas da Lagoa dos Patos; a possibilidade de construção de um canal extravasor, projeto que está em discussão desde a enxurrada de 2011, mas que ainda não tem licenciamento ambiental e um projeto de engenharia finalizado. Com esses projetos, poderíamos buscar os recursos para a construção das obras de prevenção”, disse.



