
Por Clarissa Ribeiro
O Centro de Atendimento ao Autista (CAA) Dr. Danilo Rolim de Moura de Pelotas realizou, entre os dias 21 e 29 de agosto, a exposição de arte “Aquarela”. A mostra, que também faz homenagem póstuma à artista pelotense Cecília Rota Borges, reúne trabalhos de alunos de diversas faixas etárias, a fim de promover inclusão e dar visibilidade às suas potencialidades e aconteceu dentro da programação da 26ª Semana Municipal da Pessoa com Deficiência.
De acordo com a diretora do Centro, Débora Jacks, a mostra busca valorizar o trabalho dos alunos, bem como possibilitar seu desenvolvimento. “É um momento de não só dar visibilidade, levar informação, mas também de mostrar as potencialidades. Nossa exposição está dentro da Semana junto com atividades como formações continuadas e outras ações”, explicou.
Débora ressalta que a homenagem do Centro à Cecília é uma forma de agradecer por todas as doações de materiais recebidas de sua família. “É um ato de carinho dela, além da mostra valorizando as relações e parceria”, afirmou.
Participação da Intervenção Precoce
A edição deste ano contou com trabalhos de cerca de 230 alunos e trouxe novidades, como a participação dos pequenos da intervenção precoce – crianças com até 6 anos de idade – que também tiveram a oportunidade de mostrar seu talento artístico. Segundo Débora, a participação valoriza essa faixa etária e destaca a importância de valorizar as diferenças em toda e qualquer idade, entendendo que todos têm condições de produzir grandes obras através da aquarela, que traz vida, cores e perspectivas.
Para a elaboração dos trabalhos, diversos materiais puderam ser explorados, para que cada criança executasse a tarefa de forma personalizada. “Todas as professoras usaram diferentes materiais, elas foram explorando conforme as habilidades de cada um. Com os meus alunos eu escolhi um material que eles tivessem mais facilidade ao manusear. Um deles tem um pouco de sensibilidade em relação a tinta, então, escolhemos fazer com carimbos, material reciclado e esponja. Um outro tem muito gosto pela tinta, então ele mesmo escolheu as cores, deixei que ele usasse a criatividade”, contou a professora da intervenção precoce e coordenadora, Aline de Araújo.

Apoio, inclusão e acolhimento
O trabalho no Centro é realizado de maneira articulada e colaborativa, o que promove a circulação da informação e fortalece o apoio para as famílias e alunos. Atualmente, são assistidas 570 famílias. A equipe atende as necessidades específicas dos assistidos portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA), com as estratégias e recursos adequados às características sensoriais, comportamentais, comunicativas e intelectuais de cada um deles.
Segundo a diretora, os alunos participam anualmente das atividades ao longo da semana, sempre com diferentes formas de expressão. “Normalmente, criamos essas exposições, então, já tivemos outras em quadros, em telas, exposições de brinquedos confeccionados com sucata e com material acessível. Então, sempre vamos criando exposições, temos também mostras fotográficas com alunos da tecnologia. Nós estamos presentes no mundo de diferentes formas”, disse.



