Trajetória

Por três anos consecutivos fui a apresentadora das atividades da Feira do Livro de Pelotas. Minha voz ecoava pela Praça Coronel Pedro Osório, transmitindo o desenrolar da festa dos livros.

Foi uma experiência extremamente gratificante. O convívio com o público e com os livros me trouxe a dimensão do alcance da cultura e da literatura expostas em sua essência.

Os visitantes folheavam livros, demonstrando seus interesses em buscar assuntos que lhes interessavam.

As escolas mostravam seus trabalhos artísticos no palco e o burburinho dos estudantes trazia alegria para deleite dos espectadores.

As livrarias expondo uma infinidade de títulos em suas prateleiras eram a grande atração da Feira do Livro.

Tive então, novamente, a oportunidade de entrevistar vários escritores.

Alguns anos antes, também, entrevistei muitos autores literários quando a Rádio Federal FM instalava um estúdio na Feira do Livro. Ali, entre quatro paredes, as conversas correram soltas velejando no mar da literatura. Boas e inesquecíveis lembranças.

Nunca imaginava que seria convidada a ser patrona da Feira do Livro algum dia.

Meu nome foi indicado e aprovado, por unanimidade, pela Câmara Pelotense do Livro como patrona da Feira do Livro deste ano. Eu li o convite com voz clara e trêmula com os olhos umedecidos de emoção.

Minha trajetória no mundo das letras é longa, apesar de que, para mim, é sempre novidade exercer o ato de escrever.

Por essa razão, vou atender ao pedido dos meus leitores e de todos que começarem a ler meus textos com uma surpresa. Aguardem!

E, coincidência das coincidências, escrevi uma crônica em 2010 que tem tudo a ver com o slogan da 51ª Feira do Livro de Pelotas.

Tomo a liberdade de aqui transcrever um trecho:

“Uma folha em branco está escancarada diante de mim. Nela, escrevo o dia de hoje. Os personagens distantes, em absoluto silêncio, escapam das folhas anteriores e olham por cima do meu ombro, espiando os movimentos que faço com a caneta. No entanto, são invisíveis e intocáveis.

Pois, mãos à obra, então. Continuo a escrever.

Os próximos episódios são incógnitos, apesar dos vários planos e projetos que tenho em mente.

A página está sendo escrita no cotidiano, sem pressa, sem medos, sem culpas. O que já vivi é um capítulo à parte. O que vou viver é o que me surpreenderá em um capítulo inédito. De repente, posso estar inserida em algum capítulo que o desconhecido escreve. E é bem provável que eu seja um personagem na história de quem lê o que escrevo.

Pois, queiramos ou não, somos escritores de um livro raro com vários capítulos e múltiplas figuras inseridas. O livro em que narramos a nossa vida”.

PORQUE A VIDA ACONTECE EM CAPÍTULOS!