Quando vejo os rostos queridos dos meus filhos, me emociono com a grandeza do afeto, que não se traduz em palavras. Ele existe para além da visão falível e ilimitada.
Orgulho-me deles em cada gesto, em suas posturas de homens, crescidos para a vida que se descortina constante em tantos horizontes.
Muitas vezes, no meu silêncio, guardo os elogios que gostaria de fazer, com receio de empanar o brilho que eles imprimem no dia a dia, na minha tolice de temer que se tornem pretensiosos. Talvez, por exigir deles o máximo, deixo de salientar nas pequenas coisas e nos grandes momentos toda a minha satisfação e regozijo.
E, de alguma forma, a todo instante, aprendo com eles através das conversas em que desfrutamos, da troca de ideias, opiniões e conselhos.
A geração a que pertenço não teve esse privilégio. Ao menos, no que me coube, era quase proibido ter opiniões, dar palpites. Penso que quase nunca fui ouvida por meus pais como ouço aos meus filhos.
O mais extraordinário é que eles me dão conselhos. E na sabedoria deles, que é pura e livre de preconceitos, encontro respostas que, até então, na minha vivência, eu não descobrira. Se existe diálogo entre nós, é porque somos companheiros e soubemos cultivar no amor o sentido verdadeiro da fraternidade.
A intuição dos meus filhos me surpreende. Eles são claros, transparentes, lúcidos.
Nos momentos em que sofremos golpes violentos inevitáveis; o ombro de um era o ombro de todos; as mãos estavam entrelaçadas e os abraços eram profundos e fartos. Nas lágrimas que partilhamos, das saudades que sentimos, adubamos a terra do sentimento de união e os risos são inteiros, sem barreiras, porque juntos descobrimos que crescer é um ato constante que independe de idade.
Ensinei a eles que a luta é perene e depende de nossa postura nos fazermos vencedores. Não podemos desanimar. Como disse o poeta Gonçalves Dias: – “a vida é combate que os fracos abate, e aos fortes e aos bravos só pode exaltar”.
Nas batalhas do viver, tenho um trunfo e um escudo: a companhia, mesmo na distância, dos meus filhos. A eles, o tributo de me tornarem a mantenedora, a guardiã da maternidade que justifica tudo. Afinal, sou uma mulher ditosa, rica. Possuo pedras preciosas quando a muitas é negado esse privilégio.
No respeito mútuo, temos a certeza de sermos aceitos nas nossas limitações no ilimitado do amor cultivado desde o nascimento, pois, com certeza, eu renasci com eles.
Nas minhas dúvidas, lhes confio os anseios e temores e eles iluminam, como estrelas que são, os melhores caminhos a seguir.
Meus filhos – tesouro de muito brilho e de maior valor na minha missão de ser mãe!




