Nessas fugazes e intensas emoções de viver no respirar, inspirar, transpirar, suspirar que os acontecimentos distribuem, via cérebro e coração, e se exercita um árduo aprendizado. As lições de ligar e desligar um interruptor invisível e inconveniente, mas necessário.
Imagino a vida como o saguão de um grande aeroporto com aqueles enormes indicadores eletrônicos de Partidas e Chegadas dos voos.
E fico sentada, em silêncio, observando as idas e vindas das pessoas que amo, que fazem parte da minha história, enraizadas em veias e artérias, circulando pelo mais fundo do meu peito. “Todos os dias é um vai e vem/A vida se repete na estação/ Tem gente que chega pra ficar/ Tem gente que vai pra nunca mais/ Tem gente que vem e quer voltar/ Tem gente que vai e quer ficar/ Tem gente que veio só olhar/ Tem gente a sorrir e a chorar./ E, assim, chegar e partir/ São só dois lados da mesma viagem/ A hora do encontro é também despedida”. (Fernando Brant e Milton Nascimento)
A cada chegada, faço a festa com risos, com o olhar iluminado, de alma leve como se tivesse asas e voasse por entre as estrelas. Que alegria!
Na partida, tento disfarçar as lágrimas, mantenho a espinha dorsal ereta, me esvaio em soluços e ouço o barulho dos estilhaços de algum cristal se despedaçando no meu interior.
E nesses momentos, instalados na realidade atual por causa da distância que se interpõe no convívio com meus amores meteoros, executo a tarefa de ligar e desligar a sensação de plenitude ou esvaziamento, conforme a ocasião exige, usando um interruptor de energia. E sabe-se lá de onde me vem essa força para sobreviver ao liga/desliga.
Só não me despeço de mim mesma. Nasci comigo e perambulo por todos os lugares na minha companhia.
Acho que deve ser o bastante, embora não seja o suficiente. E, também, consigo escapar da monotonia porque me redescubro todos os dias em uma parceria cheia de surpresas.
Driblar as tristezas e as alegrias faz parte do jogo. Umas agradáveis, outras insuportáveis, certamente. Porém, manusear as chegadas e as partidas como cartas de um baralho em cada rodada faz unir raciocínio com sabedoria e o resultado, às vezes, é favorável, quando se aposta a medida certa e se tem consciência plena de que nada é para sempre.
As regras para sair ilesa de encontros e despedidas são muito fáceis, redigidas em uma folha de papel. Pura teoria. E “de teorias o inferno está cheio”, como fala o ditado popular.
Celebre as chegadas como quem sorve um vinho raro e deixe que escorra o néctar da alegria alma adentro.
Pranteie as partidas como quem se debruça sobre um abismo escuro e permita que a dor escoe sua amargura até a última gota.
É a vida nossa de cada dia. Ligar e desligar o interruptor das emoções nas chegadas e nas partidas.




