Papa Francisco, um caso raro de líder religioso e político que perseguiu a simetria entre o discurso e a ação

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Jorge Mario Bergoglio, o exemplo de que, cada pessoa, escolhe suas referências políticas, sociais e religiosas. Ao escolher o nome Francisco, Bergoglio, deu sinais de que a vida e obra de São Francisco de Assis estariam vivas no seu pontificado.

Se por um lado vivemos tempos de evolução na forma de interagir, o que nos torna uma “aldeia global”, conceito criado pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan na década de 1960 para descrever um mundo em que todos estariam interligados em uma cultura unificada por meio da tecnologia; por outro, a humanidade se encontra dividida entre a guerra e a paz, a pobreza e a riqueza e o poder e a submissão. Para os que sofrem, o Papa Francisco foi um facho de luz na busca por um caminho de mudanças.

Sobre mudanças, ele começou pela tarefa mais difícil! Mudar sua própria igreja, quando reconheceu denúncias, escândalos e abusos cometidos.

Francisco foi para a juventude um pai, pregando o amor e exaltando a vida, foi voz de aconselhamento e oração para cada alma em sofrimento.

O Papa foi ambientalista e socialista na luta contra a usurpação e destruição do meio ambiente, que é parte de nós e vice-versa, relação que preserva as formas de vida no planeta. Com o surgimento do estado e dos contratualistas, a política e a necessidade de consumo imposta pelo capitalismo transformam o meio ambiente em propriedade, passível de exploração e geração de riqueza para poucos.

Francisco foi a balança apontando o peso das desigualdades sociais, soldado pedindo pela paz no front de guerra e humano na luta contra todos os tipos de preconceitos.

Ele foi um líder espiritual próximo das pessoas, humano como nós, e agiu como tal quando não quis o anel de ouro e determinou que o trono seria simples quando decidiu usar sapatos modestos de cor preta ao invés dos vermelhos de marca usados pelos antecessores. Ao preferir o Palácio Apostólico pela Casa Santa Marta, manifestou que gostava de estar próximo de pessoas.

Tão humano quanto nós, foi o primeiro Papa a declarar paixão pelo futebol afirmando torcer pelo clube Argentino São Lourenço. Tango era sua música preferida, foi o primeiro a visitar a Península Arábica. Foi responsável pela produção dos documentos mais fortes da história da igreja, com impactos na política do Vaticano e na política mundial.

Nesse labirinto global no qual doutrinas ideológicas, políticas e religiosas são potentes armas de guerra na disputa pelo poder e riqueza, sobretudo entre países colonizadores, para manter a subserviência e a exploração dos países colonizados, pobres e periféricos que multiplicam a desigualdade social, Jorge Bergoglio ou Francisco, foi um exemplo de humanidade pedindo orações para ele e orando por todos.