Fumicultura: o sustento dos pequenos produtores em São Lourenço do Sul

Na safra 2024-2025, Vinicius Schmitz e Talita Harter plantaram 60 mil pés de fumo, uma quantidade considerada ideal para o casal que trabalha sozinho na produção. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Quando se anda pelas estradas da zona rural de São Lourenço do Sul é bem fácil encontrar propriedades com lavouras de fumo ou com estufas no pátio. Isso porque o relevo e o clima da região são propícios para essa cultura. O tabaco se destaca por sua rentabilidade proporcionando sustento para produtores com propriedades menores.

No município, são mais de 3,7 mil famílias que produzem tabaco, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). E uma dessas famílias é a do Vinicius Schmitz e da Talita Harter, produtores da localidade de Picada Moinhos, no 6º Distrito do município. Juntos há 13 anos, eles encontraram no tabaco a fonte de renda para alcançar seus objetivos. Na safra 2024-2025, plantaram 60 mil pés de fumo, uma quantidade considerada ideal para o casal que trabalha sozinho na produção.

Conforme a Afubra, 80% do fumo da safra 2024-2025 está colhido. O casal já finalizou a etapa da lavoura e, agora, se prepara para a escolha e comercialização do produto. A história deles com a fumicultura é parecida com a de muitas famílias, que continuam o trabalho dos pais. Schmitz cresceu em uma família produtora de tabaco, acompanhando seus pais na lavoura desde cedo. Quando Talita entrou para a família, nunca havia trabalhado com tabaco, mas se adaptou bem à atividade e, atualmente, compartilha a produção. Os dois são pais do pequeno Théo, de um ano e sete meses, que é cuidado pelos familiares enquanto Schmitz e Talita estão na lida.

Sempre trabalhando e se dedicando, já conseguiram conquistar muitos objetivos por meio do fumo, como duas estufas elétricas, galpões reformados para a armazenagem do fumo seco, um trator e um carro, e no momento estão na construção da sua nova casa. Para o futuro, o casal planeja adquirir mais um trator e investir em uma estufa de carga contínua, que traria mais praticidade na colheita e na secagem, além de expandir suas terras, consolidando ainda mais sua tradição na produção de tabaco.

O casal conta que o clima está contribuindo bastante com a produção na região nesta safra, mesmo com a ocorrência da seca ou temporais. Em outras regiões do município, muitos produtores tiveram perdas devido às intempéries. O casal perdeu alguns pés, mas nada significativo porque, devido à quantidade menor de fumo, os produtores conseguem dar conta da colheita, que ainda é feita de forma manual. “Só perde quem planta”, afirma Schmitz, demonstrando sua visão realista sobre os desafios da produção.

A história do casal reflete a realidade de muitas famílias que encontram no cultivo do tabaco uma forma de prosperar, mesmo diante das adversidades. A produção de fumo continua sendo um dos pilares econômicos para pequenos agricultores que veem na terra sua principal fonte de sustento.