ANP aposta na Bacia de Pelotas como nova fronteira do petróleo no Brasil

Diretor-geral da Agência, Rodolfo Saboia, conversou com o deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB-RS). (Foto: Divulgação)

“É muito promissora essa região. Existem bons indicadores tecnicamente falando do ponto de vista geológico. Os analistas fazem essas previsões (de gerar até 15 bilhões de barris), mas elas precisam ser confirmadas a partir das perfurações. Só quando for possível perfurar, numa quantidade que seja capaz de dizer se o que foi encontrado é economicamente viável”.

O comentário do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Rodolfo Saboia, durante a live promovida pelo deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB-RS) nesta quinta-feira, revelou a expectativa depositada naquela que passou a ser chamada de a próxima fronteira de exploração petrolífera no Brasil. Saboia conversou com Trzeciak sobre o futuro do Rio Grande do Sul frente à possibilidade de prospecção e investimentos gerados a partir da descoberta de novas reservas nacionais na Bacia de Pelotas.

O diretor-geral reforçou que o Brasil trabalha com duas frentes – a costa gaúcha e a Margem Equatorial – entre as áreas mais promissoras, dentro de um planejamento que prevê descobertas e a redução natural de poços ativos há vários anos. Os recursos do pré-sal, por exemplo, devem entrar em declínio em 2030. Daí a importância de se encontrar outras reservas.

Durante a live, ele adiantou ao deputado que mais 75 blocos da Bacia de Pelotas serão leiloados em breve. A minuta do edital já se encontra no Tribunal de Contas da União (TCU), com a expectativa de estar disponível no começo de 2025. Será no modelo de oferta permanente e qualquer empresa poderá manifestar interesse. “Esperamos que aconteça (o leilão) ainda no primeiro semestre do ano que vem”, disse. Outro indício de que a ANP aposta fortemente no projeto.

Os primeiros poços serão perfurados a partir da autorização do Ibama. Entre essa etapa e o “primeiro óleo”, o tempo pode ser de oito anos. São investimentos longos, pesados financeiramente às companhias até elas começarem a ter retorno. “Aí começa a produção e os municípios beneficiados, identificados a partir da aplicação dos critérios da lei. Depende de linhas perpendiculares traçadas a partir da costa. São definidas pelo IBGE, que a ANP usa para apontar quanto cada um vai receber. Principalmente royalties, mas também a mobilização da indústria local, a geração de emprego e renda para todas as populações que podem se beneficiar dessa atividade exploratória”.

O deputado destacou a importância de olhar com atenção para a transição energética, necessária ao futuro do país, sem deixar de perceber o mercado atual, em que o petróleo ainda tem um papel estratégico. Em 2023, a produção média anual do produto e de gás natural no Brasil foi recorde, com 4,344 milhões de barris de óleo/dia, 11,69% acima do recorde anterior, de 2022. Foi a primeira vez que a produção média anual nacional atingiu uma marca acima dos 4 milhões.

Consórcios

A Bacia de Pelotas foi leiloada pela ANP em dezembro de 2023 e teve 44 blocos arrematados. Vinte e nove deles por dois consórcios – Petrobras/Shell/CNOOC e Petrobras/Shell – e 15 pela Chevron. A região é mapeada desde o alto de Florianópolis (SC) até a divisa com o Uruguai. Os resultados exploratórios obtidos no mar da Namíbia, costa da África, com reservas estimadas em até 13 bilhões de barris, chamaram a atenção das grandes companhias para a região, com formação geológica semelhante, do período em que o supercontinente Gondwana incluía os territórios atuais da América do Sul e África.