A vida de um jovem casal na produção de fumo

O casal Cristian e Andressa Schmalfuss estão na segunda safra juntos e plantam cerca de 60 mil pés de fumo. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

A produção de fumo, atividade que faz parte da história de muitas famílias rurais, segue viva e presente na rotina de Andressa Schwantz Schmalfuss e Cristian Schmalfuss, um jovem casal do interior de São Lourenço do Sul, que reside na localidade de Picada Moinhos (6º distrito). Os dois se familiarizaram com a fumicultura ainda na infância e, hoje, seguem os passos de seus pais e avós. Ambos estão em sua segunda safra juntos e plantam cerca de 60 mil pés de fumo.

Em setembro de 2023, se casaram e, desde então, moram juntos. O casal optou por continuar com o cultivo de fumo devido a rentabilidade, que supera outras culturas agrícolas locais. “Aqui na nossa região, o fumo é o que mais dá produtividade e renda”, explica Andressa. Embora reconheçam os desafios, a decisão foi natural, considerando o histórico familiar e as condições econômicas.

Apesar da tradição e do bom rendimento, a produção de fumo não é fácil. Um dos principais obstáculos apontados pelo casal é a volatilidade dos preços. Houve anos em que o valor pago pela safra foi tão baixo que eles decidiram não vender. Nas últimas safras, o preço estava melhorando e esperam que nesta continue assim.

A vida de um produtor de fumo também exige um esforço físico intenso durante todas as etapas de produção. Tudo começa com a semeadura nas bandejas, onde as plantas se desenvolvem por cerca de três meses. Durante esse período, são realizadas podas, enquanto o trabalho na lavoura é de preparo, com a realização dos camalhões. Depois do plantio, são aplicados os fertilizantes, como adubo e salitre. E, ao longo do crescimento da planta, é necessário manter a lavoura limpa para que o tabaco se desenvolva melhor. Após o seu crescimento, é realizada a quebra da flor, para que o fumo produza mais folhas e, então, começa a colheita, pelo baixeiro, segunda panha, terceira panha e, por fim, as ponteiras. Depois da lavoura, o trabalho continua em casa, com a secagem nas estufas, a armazenagem no galpão e a venda.

Os produtores salientam que o trabalho com o fumo também exige um esforço físico intenso durante todas as etapas de produção. (Foto: Catarine Thiel/JTR)

Atualmente, o casal foca exclusivamente na produção de fumo e ajudam os pais de Cristian em lavouras de hortaliças, feijão e outros alimentos para consumo próprio. O desejo dos dois é aprimorar a qualidade da produção, enquanto pensam em reduzir gradualmente a quantidade plantada. “Nosso plano é diminuir a produção aos poucos e focar mais na qualidade, desde que continue trazendo produtividade e lucro”, explica Cristian.

Unidos pelo trabalho e pela tradição familiar, Andressa e Cristian seguem enfrentando os desafios da agricultura, sempre com o olhar no futuro. Este ano não só marca a segunda safra juntos, mas o espírito de perseverança e dedicação do casal, sendo o mesmo que moveu seus pais e avós, que são os seus exemplos.