Pelotas: 3ª Performance & Culinária dos Orixás exalta a cultura afro através dos orixás

Daniel Amaro, da Cia. de Dança Afro Daniel Amaro; Mãe Gisa de Oxalá, da Comunidade Beneficente Tradicional de Terreiro Caboclo Rompe Mato Ilê Axé Xangô e Oxalá; e Tiago Radmann, diretor do Senac Pelotas. (Foto: Julia Barcelos/JTR)

Tendo como principal objetivo a valorização da cultura negra de Pelotas, a Performance & Culinária dos Orixás realizará sua 3ª edição no dia 7 de novembro, às 20h. Desta vez, o evento que envolve gastronomia, dança e música afro-brasileira conta com 80 ingressos e acontecerá na Comunidade Beneficente Tradicional de Terreiro Caboclo Rompe Mato Ilê Axé Xangô e Oxalá (CBTT), localizado na rua Trinta e Oito, nº 107, bairro Jardim Europa.

A experiência fará alusão a três orixás que estão representando o ano de 2024: Ossanha, Obá e Bará. Para completar o espetáculo, foram acrescentados Otim, Oxum, Iemanjá e Oxalá. O evento é pensado para ser um conjunto entre música, dança e culinária africana. Dessa forma, tanto as coreografias quanto o menu serão criados fazendo referência a elementos que representam essas divindades.

A 3ª Performance & Culinária dos Orixás é uma realização da Cia. de Dança Afro Daniel Amaro, junto com o Sistema Fecomércio (Sesc/Senac) e a CBTT, com apoio do Conselho Municipal de Povo de Terreiro. Desta forma, a parte da coreografia e direção artística da dança está a cargo de Daniel Amaro; a parte musical é com os ogans Cleber Vieira e Alison Soares; e os orixás serão encenados pelos intérpretes e bailarinos Débora Mendes, Erick Dias, Ludmila Coutinho, Juliana Coelho, Vivian Oliveira, Mayson e Juliana Coelho.

Quanto ao lado da culinária, os pratos serão preparados por alunos de Gastronomia do Senac, junto do professor André Eduardo Fonseca. Contando um pouco sobre as comidas que serão servidas no jantar, o gastrônomo começa pelo prato de entrada: um mix de folhas, crostine com brie e couli de figos. Este faz referência ao pai Ossanha, o orixá das folhas, da prosperidade e da medicina aborígene. O segundo prato é um caldinho de feijão miúdo com crispes verde de panko e bacon, alusivo a Otim, a caçadora do mato, relacionada a beleza, mistério, comida à mesa, prosperidade e abundância.

Já o terceiro prato consiste em um “tira gosto” para preparar as pessoas para o prato principal. A iguaria é feita de abacaxi caramelizado com creme de iogurte e faz alusão a Obá, a orixá da roda, do movimento. “Obá é a orixá dos amores impossíveis, então, é doce e também um pouco azedo”, explica Fonseca. O próximo é o prato principal, alusivo ao orixá Bará, e trata-se de um aligot (purê de batata com queijos) e medalhões de lagarto bovino ao molho. O Bará é o dono dos caminhos, sendo o mensageiro dos homens com os orixás.

Depois do prato principal, há a mesa de sobremesas que contará com ambrosia, pavlova com mousse de limão ao molho de coco, e manjar de coco com calda de ameixa. O primeiro doce faz alusão a Oxum, a senhora das águas doces e padroeira de Pelotas; o segundo referencia Iemanjá, a rainha do mar; e o terceiro, por fim, representa Oxalá, o pai de todos os orixás.

Para o diretor do Senac Pelotas, Tiago Radmann, a realização desse tipo de evento, além de unir a teoria com a prática, também valoriza a história e cultura afro, que muitas vezes são deixadas de lado. “Acho que eventos como esse fazem as pessoas refletirem sobre isso. Então, a gente tem que estar junto. Eu fui em todas as edições e a gente pretende apoiar para que isso se torne algo permanente na cidade”, afirma.

As duas primeiras edições do Performance & Culinária dos Orixás aconteceram no Mercado Central. Porém, neste ano, a ideia é fazer um evento itinerante pela cidade. Pensando nisso, surgiu a oportunidade de realizar a experiência no CBTT. A Comunidade Beneficente Tradicional de Terreiro Caboclo Rompe Mato Ilê Axé Xangô e Oxalá é uma casa de religião existente há 84 anos em Pelotas e Mãe Gisa de Oxalá é a segunda geração desta casa. Para a líder religiosa, o evento é uma oportunidade de mostrar que a tradição de matriz africana vai muito além do aspecto da crença. “O religioso, a tradição e o sagrado jamais deixarão de ser, mas nós também somos cultura, nós somos educação, nós somos arte”, completa.

O valor do ingresso custa R$ 60. Mais informações pelo telefone/WhatsApp (53) 9241-4949.