Turuçu: Propriedade utiliza silagem de colostro para criação de terneiras

Produtora Veneida Mailahn conta com a ajuda do filho Riquelme, de 12 anos, no intervalo da escola. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Não é de hoje que se ouve falar na adoção da silagem de colostro para a alimentação de terneiras na propriedade com produção leiteira, uma maneira sustentável de reduzir custos na criação destes animais. A médica veterinária da Emater de Turuçu, Alessandra Storch, incentiva e acompanha a adoção desta tecnologia em uma propriedade de Turuçu.

Segundo ela, é possível criar uma terneira com silagem até o desmame, utilizando em torno de 240 litros por terneira, o que representa uma economia de mais de R$ 500 em litros de leite, que podem ser convertidos em investimentos na propriedade. “É também uma ótima alternativa para incentivar a sucessão rural, através do repasse dessa renda aos jovens que realizam essa atividade na propriedade”, diz.

E é com esse olhar de sustentabilidade que a produtora Veneida Mailahn conduz sua propriedade, localizada em Corrientes, onde possui 29 vacas em produção e três terneiras alimentadas com a silagem, uma média de 120 litros por mês para cada. Os resultados, segundo ela, são satisfatórios e permite, inclusive, que o filho Riquelme, de 12 anos, lhe auxilie no intervalo da escola.

A produção mensal na propriedade fica em torno de 13 mil litros de leite, uma média de 900 litros por coleta, que é feita de dois em dois dias pela Cooperativa Coopar. O preço, segundo ela, está satisfatório, mas já se cogita uma baixa de R$ 0,10 por litro, o que encareceria a produção, especialmente por causa do aumento dos custos devido à alta dos insumos.

Propriedade possui 29 vacas em produção e três terneiras alimentadas com a silagem, uma média de 120 litros por mês para cada. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Dedicada à pecuária leiteira desde 2012, a família Mailahn está nesta propriedade desde 2015. A atividade vem de família, herdada dos pais. “Meu pai e minha mãe passaram a vida vendendo leite em tarros de 30 litros”, recorda. Além do filho e da produtora, a família é constituída pelo marido Adair, que se dedica à cultura da soja, e pela filha Leslen.

Ela conta que toda a alimentação das vacas é produzida na propriedade, com pastagens cultivadas e silagem de milho e trigo. Isso se tornou possível graças aos projetos e as tecnologias levadas pela Emater do munícipio desde o início da atividade, dando destaque para os projetos de açudagem e irrigação de pastagem perene, executados e supervisionados pela Emater. São quatro açudes e o principal, realizado pelo projeto, possui extensão de 1,5 hectare e profundidade de dois a três metros.

Veneida foi a primeira presidente da Associação dos Leiteiros de Turuçu (ALT) e hoje exerce a função de tesoureira. Também participa do projeto Quintais Orgânicos, da Embrapa Clima Temperado, no cultivo de frutas na propriedade.

Preconizada pela Emater, a silagem de colostro é um substituto natural para o aleitamento de bezerros e demais mamíferos. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Prêmio
A tecnologia silagem de colostro, tendo como case a produtora Veneida e um produtor de São Lourenço do Sul, é finalista da premiação “Especial 20 Anos”, do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2021. A premiação é dedicada ao reconhecimento de tecnologias sociais certificadas e cadastradas na “Rede de Tecnologias Sociais – Transforma!”, exclusivamente para iniciativas desenvolvidas no Brasil. Preconizada pela Emater, a silagem de colostro é um substituto natural para o aleitamento de bezerros e demais mamíferos. Além de ser um alimento de excelente qualidade, o seu uso proporciona aos produtores um lucro equivalente à venda do leite.

Para fazer a silagem, o produtor coloca o colostro excedente, que iria para o lixo, em garrafas PETs, limpas e secas, fecha e armazena sem refrigeração. Após 21 dias, o produtor tem um substituto para o leite, de excelente qualidade e sem custos. De cada dois litros da silagem de colostro, o produtor mistura 2 litros de água e obtém 4 litros de um sucedâneo de excelente qualidade nutricional e com custo zero. O leite que seria usado para alimentar a bezerra passa a ser vendido pelo agricultor, gerando renda e auxiliando na manutenção da família.

No Brasil cerca de dois bilhões de litros de colostro são descartados anualmente. Com o uso deste colostro em forma de silagem, o produtor obtém animais melhor alimentados e renda para usar com sua família. A tecnologia ganhou visibilidade a partir de 2007, após vencer o prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil.

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