Especial JTR: Em Turuçu, sucessão familiar é motivo de orgulho

Gilson Züge e sua família estão na atividade rural, que passa pelas gerações a mais de 80 anos (Foto: Divulgação)

Desde muito tempo, todas as vezes que se fala em colônia, entende-se interior, zona rural. Algumas expressões que vem à tona são êxodo rural e sucessão familiar.

Em uma propriedade no interior de Turuçu, mais precisamente na colônia Santa Clara, uma família que perpassa gerações demonstra que essas expressões não são problemas ou que precisem consumir tempo de diálogo, pois a proposta de sair da colônia passa longe de ser pauta e a transmissão de atividades e conhecimentos de pai para filho são automáticas e naturais, como a correnteza do pequeno arroio que passa nas terras da família.

Estamos falando de Gilson Züge, 58 anos, produtor rural que cultiva morango, batata-doce, milho e, principalmente, tabaco. Ele e sua esposa, com filhos, genros, noras e netos, fazem da família e da produção a alegria nas áreas de cultivo, que já estão a mais de 80 anos com a família. As pequenas Cassia Ellen e Geovana ajudam os adultos a relaxar, e depois de algumas piadas, é hora de retornar ao trabalho.

Quando a filha de Gilson, Tatiane Züge Zillmer – ou Tati, como é carinhosamente conhecida por todos na comunidade – foi questionada sobre quais são os prós e contras, ela respondeu com satisfação que o melhor da colônia é a tranquilidade, estando o rural, ainda que pouco, afastado da violência e, também, a melhora da introdução de tecnologias.

“Antigamente diziam que o problema da lavoura era que você estava sempre isolado, sem novidades, desconectado. Hoje com a universalização da internet, não temos mais esse problema. Estamos a par de tudo”, comemora Tati.

Um outro ponto que ela cita é a inexistência de horários fixos para o trabalho, o que pode ser tanto positivo quanto negativo. Dependendo da demanda, é preciso trabalhar até mais tarde, mas ao mesmo tempo, terão dias que se permitirá ficar na cama até mais tarde, por exemplo.

O beneficiamento por políticas do Poder Público Municipal para a produção agrícola e a integração às associações do município, como a Associação dos Produtores de Morango de Turuçu (APMT) e o grupo de produtores de fumo, com apoio do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, garantem que a sucessão familiar seja considerada importante por todos. “Claro que é importante. O que vai ser do futuro? Alguém precisa ficar no interior e fazer o serviço”, diz a família.

Assim como Züge e seus familiares, muitas outras pessoas, designadas como colonas promovem, algumas vezes inconscientemente, a manutenção e o desenvolvimento das massas urbanas, através da oferta de elementos de sustentabilidade social, como o alimento, a bebida e opções de lazer e turismo no agro. É, portanto, irredutível os elogios que devem ser concebidos a essas pessoas que, com certeza, sustentam a vida.

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