A longa estiagem e os efeitos da pandemia do Covid-19 causam prejuízos à produção e comercialização de produtos oriundos da agricultura, em São Lourenço do Sul, seja pela quebra na safra, falta de água para consumo humano e animal ou na comercialização. No entanto, o setor segue em atuação forte, porém com as restrições impostas pelas autoridades de saúde e as circunstâncias decorrentes destes.
Defesa Civil e prefeitura têm atendido a demanda de cerca de 160 famílias do meio rural e já forneceu cerca de 300 mil litros de água potável a elas. As famílias mais carentes do meio rural são as que mais sofrem com a crise da estiagem e do Covid-19, pois possuem pouca terra e recursos para a produção de alimentos e veem diminuir as oportunidades de trabalho e renda que normalmente os sustentam.
Segundo informações da equipe do escritório municipal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) local, a cultura de grãos é a de maior expressão no município em área plantada. A soja tem a maior área cultivada na safra 2019/2020, com 40 mil hectares e uma produção média de 3,1 mil quilos por hectares. A produção atual está em 1,425 mil quilos por hectare. Em seguida vem o milho, com 21,5 mil hectares plantados, mas cerca de 6,5 mil hectares são destinados à silagem. A produtividade média é de seis mil quilos por hectare e a produção atual está em 2,09 mil quilos por hectare.
O arroz teve 7,2 mil hectares plantados nesta safra e atualmente mantém a produtividade média de 7,5 mil quilos por hectare, no entanto, esta produtividade pode ser maior, estimam os técnicos do escritório municipal da Emater local.
A cultura do tabaco é de longe a de maior importância econômica para as famílias dos
agricultores familiares. No município são cultivados cerca de 9 mil ha e a produtividade média é de 2,7 mil quilos por hectare em épocas de normalidade climática. Para esta safra, é esperada uma quebra da ordem de 40% da produção. Isto significa uma produção média de 1,6 mil quilos por hectare.
Outra expressão econômica é a produção leiteira. No município a industrialização é liderada pela Indústria Pomerano, que atualmente beneficia cerca de 140 mil litros de leite por dia, chegando no auge da safra a 250 mil litros/dia. No município existem cerca de 515 famílias de produtores de leite e cerca de 10,5 mil vacas em lactação. Outras duas empresas atuam na captação do leite local como Leite da Fazenda e agroindústria familiar Klasen.
Com 136 anos de história, a tradição agropecuária de São Lourenço do Sul está alicerçada na origem e cultura de seus povos pomeranos, alemães, portugueses, quilombolas e pescadores profissionais artesanais. Além dos grãos e tabaco e leite, a economia agrícola está baseada ainda nas culturas do feijão, batata inglesa, pecuária de corte (bovinos e ovinos), pescado (camarão, tainha, linguado), hortaliças (tomate, repolho, couve, alface, e frutas, (pêssego, citros, figo, morango e uva), com destaque para a vitivinicultura e a produção de uvas de mesa, sucos e vinhos e a produção de morango em estufa, fora do solo.
A produção para autoconsumo também é relevante (suínos, aves, ovinos, citrus, hortaliças). Destaque ainda para o comércio de produtos e insumos agrícolas e o turismo rural, a exemplo da experiência do Caminho Pomerano, artesanato (porongo, madeira, cutelaria, bambu), flores e as agroindústrias (queijo, embutidos, panificados, bolachas, biscoitos, sucos, vinho, doces, bolos, picles, pescado, ovos e mel)
Outro fator relevante para o município é a participação dos agricultores nas suas organizações e ambientes de decisão de políticas de desenvolvimento, tal como as comunidades religiosas, associações comunitárias, cooperativas, representações sindicais da categoria como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf). Destaca-se, de longa data, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de São Lourenço do Sul (Capec), que reúne os presidentes das associações comunitárias do interior, entidades representativas da categoria, entidades públicas e a administração municipal e, desde a sua criação, discute e orienta a política de desenvolvimento rural.
A agricultura familiar hoje está bastante mecanizada, fruto do Pronaf Mais Alimentos – na linha de investimento – que desde 2009 possibilita a aquisição de tratores, máquinas e implementos em condições seguras para os agricultores familiares. O Pronaf também é utilizado para custeios de lavouras e outros empreendimentos.
A produção de alimentos orgânicos e convencionais, as vendas para os programas de alimentação escolar (PNAE) e o programa de aquisição de doação de alimentos (PAA) e as feiras livres que ocorrem no município propiciam à população carente, aos consumidores urbanos e turistas o acesso aos alimentos. As feiras livres ocorrem nas quartas-feiras e nos sábados pela manhã, vendendo produtos frescos e de qualidade, com a tipicidade dos produtos do município.
Outra entidade importante, a Feira Lourenciana de Agroindústrias, Floriculturas e Artesanato Rural) se organiza para o comércio de seus produtos nos eventos municipais (feiras locais, Reponte e Feira de Verão na praia), feiras regionais, como a Fenadoce e a Feira da Associação Rural de Pelotas e feiras estaduais, tal como a Expointer, Expodireto e Expoafro Afubra, vendendo seus produtos e a imagem do município. Várias entidades de ensino, pesquisa, extensão e assistência técnica atuam no atendimento às famílias do meio rural, dentre elas a Ascar Emater/RS, Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Capa, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Agropecuário, Embrapa e várias empresas particulares.
O setor da pesca profissional artesanal possui cerca de 220 pescadores registrados, que atuam prioritariamente na safra de camarão, tainha e linguado. No momento, a pesca do bagre está proibida devido à legislação e a falta de sistema de monitoramento do esforço de pesca da espécie. A atividade fica à mercê das condições climáticas e das oscilações do ambiente da Lagoa dos Patos e por isto tem enfrentado recorrentes dificuldades.
Existem três organizações de pescadores, a Associação de Pescadoras Amigas da Lagoa, a Coopesca e a Colônia de Pescadores Z-8. A atuação da Colônia junto aos seus filiados e ao Forum da Lagoa dos Patos tem garantido a aplicação de políticas públicas e apoios para o setor. Atualmente existe grupo de cerca de 30 pescadores profissionais artesanais impedidos de exercer a profissão por problemas burocráticos das entidades responsáveis, sendo assim impedidos de pescar e alimentar suas famílias. Há também muitas famílias sem água para consumo humano e animal.




