A queda na produção de leite, normal para esta época do ano, entre março e maio, por se tratar de época de entressafra, deve se estender um pouco mais em consequência da estiagem, que já compromete as pastagens do cedo e atrasa a implantação das áreas de inverno. Não bastasse isso, a queda no consumo de lácteos, principalmente do queijo, devido à Covid-19, preocupa. Na Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores da Região Sul Ltda. (Coopar), a rotina mudou devido às medidas de prevenção adotadas em função da pandemia, contam o gerente da indústria Fábio Bender e o supervisor administrativo Zilmar de Almeida.
Neste mês de abril, na unidade do trevo, mais de 40 funcionários estão de férias, principalmente os do grupo de risco. Para aqueles que continuam trabalhando, foram adotadas várias ações, como medição da temperatura na portaria, cuidado redobrado na limpeza, especialmente no setor de chegada do leite. “Estamos tomando todas as precauções para proteger os nossos colaboradores. Para a industria operar, é necessário, no mínimo, 80 mil litros por dia, mas mesmo na entressafra, a empresa está recebendo 140 mil litros por dia. Por conta da redução da produção devido à pandemia, eles estão repassando o leite para terceiros”, afirma Bender.
Na safra, o recebimento do leite chega a 200 mil litros. A unidade da Boa Vista, que normalmente nesta época tem férias coletivas, está parada desde a metade do mês de março. No local, apenas alguns poucos funcionários trabalham no estoque e maturação do queijo.
Outra preocupação está na alimentação dos animais durante os meses de inverno, que inicia em junho. “Houve uma grande quebra de produção nos grãos, especialmente do milho, o que compromete a silagem para o ano todo”, diz Bender. Segundo ele, a ração também ficou mais cara, subindo em torno de 20% de um mês para o outro. “Talvez se chover logo ainda se consiga garantir as pastagens de inverno, que normalmente são semeadas nos meses de março e abril”, ressalta.
Todo este cenário aponta para um custo maior na produção do leite além de comprometer a qualidade do produto, pela falta de pastagem. “Temos produtores com animais de genética mais apurada, que requerem alimentação balanceada para manter o padrão de qualidade”, diz Almeida e com isso a produção deve ficar mais cara. “O inverno não é problema se os animais estiverem bem alimentados pois as melhores pastagens são as de inverno”, acrescenta.
Bender ressalta ainda, a preocupação com a queda no consumo de lácteos, que já é sentida devido à paralisação das atividades sobretudo de restaurantes e lancherias de São Paulo. Segundo ele, 60% do que é produzido de lácteos no Rio Grande do Sul é vendido para fora do Estado. “O queijo no mercado não é de primeira necessidade”, lamenta. Ainda de acordo com Bender, em época de crise, com receio de gastar, o consumidor acaba restringindo a compra.




