
A Festa do Colono e do Motorista da Coxilha do Barão, em São Lourenço do Sul, é uma das mais tradicionais da região. Em sua essência, valoriza e exalta o trabalho dos colonos, fundamentais para a cadeia produtiva do município, destacando sua dedicação e esforço diário.
Um dos principais atrativos da programação é a escolha da Corte do Colono, que simboliza essa tradição e sempre foi muito bem representada pelas soberanas que compõem sua história. Com tradições familiares, momentos de superação e lágrimas de emoção, as mais variadas histórias ganham destaque às vésperas de mais uma edição desse tradicional evento.
Orgulho em representar os colonos
Sabrina Gehling Fischer, Rainha do Colono de 2026, destaca que integrar a corte sempre foi um sonho. “Desde pequena, acompanho a Festa do Colono e do Motorista e me imaginava, um dia, representando essa tradição tão importante para nossa comunidade. Em 2024, dei o primeiro passo. Naquele ano, não consegui fazer parte da corte, mas encarei essa experiência como um aprendizado. Em 2025, me inscrevi novamente e tive a alegria de ser eleita Rainha”, conta.

Rainha do Colono
Sabrina destaca que representar os colonos, peças fundamentais para o desenvolvimento e a economia do município, é motivo de orgulho. “Essa conquista representa minha família, que é formada por agricultores. Foram eles que me ensinaram, com seu trabalho, dedicação e simplicidade, o verdadeiro valor da perseverança. Carrego comigo a história, a cultura, as tradições e a dedicação do nosso povo. É uma honra poder representar essa história e contribuir para que ela continue sendo motivo de orgulho para as próximas gerações.”
Jenifer Klumb Vahl, Princesa do Colono de 2026, destaca que representar a corte é a realização de um sonho. “Um sonho que nasceu dentro da minha família. Sou filha de agricultores, cresci acompanhando de perto o trabalho no campo, aprendendo desde cedo o valor da dedicação, da simplicidade e da força de quem faz da terra o seu sustento. É uma forma de homenagear meus pais, meu maior exemplo de trabalho e honestidade”, relata.
Para Jenifer, o cargo vem carregado de significado. “Viver esse sonho também pertence à minha avó, que admirava as soberanas e sonhava em ver alguém da família vivendo esse momento. Poder realizar esse desejo tornou tudo ainda mais emocionante. Essa experiência transformou quem eu sou. Conheci pessoas incríveis, construí amizades e cresceu ainda mais o orgulho de ter minhas raízes no interior”, ressalta.

Princesa do Colono
Ana Caroline Neutzling Behling, também Princesa do Colono de 2026, salienta a honra de compor a corte. “É uma honra estar representando um dos concursos mais importantes da região. Vivi momentos que, com certeza, irão ficar para sempre em minha memória. Todas as festas que representei e a amizade com as meninas são algo mágico”, diz.
Para Ana, a tradicional festa sempre fez parte da rotina. “Desde a minha infância, minha família se faz presente na festa. Tenho orgulho por estar representando a Corte do Colono, da qual eu e minha família fazemos parte. Representar aqueles que batalham dia e noite nas lavouras, independentemente do clima, e que guardam tradições do nosso interior, como a língua alemã e a pomerana, é a realização de um sonho inesquecível”, lembra.

Princesa do Colono
Duas gerações que carregam o mesmo sentimento
Pâmela Maria Heller foi Rainha do Colono em 2025, e carregar esse manto foi a realização de um sonho coletivo. Sua maior incentivadora sempre foi a avó, Valquíria Hübner Heller, que também vestiu o manto de Rainha do Colono em 1978.
Apesar de sempre sonhar em seguir os passos da avó, a trajetória de Pâmela passou por diversos outros concursos. Na infância, estreou concorrendo ao cargo de minirrainha da Südoktoberfest, mas não integrou a corte.

do Colono em 1978 e 2025
“Naquele momento, eu chorei muito e fiquei bem triste. Mas, anos depois, eu entendi o quão importante foi aquela decepção, aquela frustração, porque foi aquele sentimento que me fez querer tentar de novo”, pontua.
Quando atingiu idade suficiente para participar do concurso da Festa do Colono e do Motorista, Pâmela não se considerava madura para concorrer. “É um concurso que traz essa importância do colono, que tem essa história linda de mais de 60 anos. Eu não me sentia preparada ainda e resolvi me inscrever em outros concursos para aprender, lapidar e sofisticar. E foi tudo tão mágico, sempre fluiu tão bem nas passarelas, que a paixão de representar minhas origens foi crescendo cada vez mais”, pondera.
Pâmela foi Rainha do Colono do Salão Lüdtke, Princesa da Festa do Fumo do Salão Ziebell e Rainha da Escola Rodolfo Bersch, no interior do município.
Em 2022, a confiança para dar o primeiro passo em busca do sonho chegou. “Subir na passarela da Coxilha do Barão, no salão onde está a foto de Rainha do Colono da minha avó, foi um sentimento indescritível. Naquele ano, fui Princesa do Colono e, apesar de não ter realizado meu desejo, foi um ano lindo. Representei tudo o que sou e os valores que meus pais e familiares me ensinaram”, afirma.
Apesar da satisfação com a experiência vivida, o desejo de tentar novamente surgiu. “Em 2024, em um surto, quatro dias antes do prazo final das inscrições, me inscrevi novamente no concurso. Só quem me acompanhou sabe o quão realizada eu estava por voltar àquele concurso. Meu coração ardia de felicidade, meus olhos sorriam mesmo quando eu estava com a cara fechada devido ao frio de dois graus que fazia na Coxilha do Barão naquela época. Mas eu estava ali, com o sentimento de que estava no lugar certo. Naquele ano, fui eleita Rainha, realizei o meu sonho e a organização do concurso permitiu que minha avó me coroasse”, relembra.
A relação de Pâmela com a avó sempre foi muito próxima. Valquíria teve apenas filhos homens e projetou na neta mais velha toda a dedicação acumulada. Emocionada, ela relata a satisfação de presenciar a trajetória da neta na mesma corte que integrou.
“Foi muita alegria, emoção e gratidão. Algo que nós sonhamos muito e se realizou. É de família essa vontade de participar dos desfiles. Quando tem convite para apresentações e eventos, eu sempre fui e vou sempre comparecer. Neste ano, completo 48 anos de história do reinado”, relata.
Pâmela reforça que representar a classe dos colonos foi um reconhecimento ao esforço da família. “Minha família é formada por colonos e eu só conquistei tantas coisas devido aos valores e aprendizados proporcionados por eles. Minha família trabalha com plantio de milho, soja, batata, cebola e abóbora, além da pecuária e do tambo de leite. Meu pai e meu tio fazem varejo toda semana para Pelotas e Cerro Grande. Sempre vivenciei, desde pequena, a luta, a garra e a persistência dos colonos”, ressalta.
Atualmente, Pâmela concilia a faculdade de Odontologia com o emprego e ainda auxilia na lida do campo nos finais de semana e nas férias. “Sempre que tenho oportunidade, vou para a colônia. Minha tarefa preferida é dar mamadeira para os terneiros e apreciar a felicidade de estar no interior. O colono é uma das engrenagens essenciais do nosso mundo. Eu escolhi a Odontologia, mas é graças aos meus pais que posso realizar mais esse sonho. Aprendi, com esforço árduo, a importância de valorizar o trabalho. Posso ter mudado de área, mas sempre vou falar com orgulho das minhas origens na agricultura”, aponta.
Pâmela conclui destacando o legado deixado pelo concurso em sua trajetória. “Eu tenho um carinho enorme pelo concurso da Coxilha do Barão, pela sua história e por representar uma classe tão importante, que muitas vezes não é devidamente valorizada. Continuo representando os colonos, agora como Rainha da 1ª Expofest Coopar/Pomerano”, finaliza.



