
O cultivo do tabaco é uma tradição enraizada em São Lourenço do Sul, passado de geração em geração por famílias que dedicam suas vidas a essa cultura. O município ocupa o terceiro lugar no ranking de maiores produtores do Brasil, e segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), houve uma produção de mais de 13 mil toneladas de tabaco na safra 2023/2024. A lavoura de fumo movimenta a economia local, gerando renda para milhares de produtores e impulsionando o desenvolvimento rural. Com o passar do tempo, a produção evoluiu, incorporando novas tecnologias e métodos que tornaram o trabalho menos árduo e mais eficiente.
Entre as muitas famílias que vivem dessa atividade estão Isabela e Juarez Kumb, moradores de Picada Caipira, no 4º Distrito do município. A história de Klumb com o tabaco começou quando ele ainda era criança. Seus pais começaram a plantar fumo em 1974, quando o fumicultor tinha dois anos de idade e, desde então, passou a acompanhar o trabalho da família. Inspirado pelos genitores, Klumb deu continuidade à produção na propriedade após se casar com Isabela.
A esposa vinha de outra realidade, com o cultivo de verduras e grãos, e conta que nunca tinha visto de perto uma folha de fumo, mas aprendeu a lidar com o fumo ao lado do marido e se adaptou bem à cultura. Hoje, o casal planta cerca de 100 mil pés de fumo e mantém essa média todos os anos.
Ambos contam que houve anos em que tentaram plantar mais, mas a principal dificuldade é a mão de obra. O casal muitas vezes conta com a ajuda de empregados para conseguir fazer todo o manejo, porém, ressalta que encontrar esses ajudantes está cada vez mais difícil. E nisso, os avanços tecnológicos surgem para melhorar o trabalho nas lavouras. O casal investiu em uma máquina que auxilia na coleta e em uma estufa de carga contínua, que permite realizar a colheita e cura em pequenos volumes diários, trazendo sustentabilidade para a produção com a redução significativa da mão de obra e do esforço físico, menor consumo de lenha, energia e menores emissões de CO2.

O objetivo do casal para o futuro é manter a mesma quantidade cultivada e continuar aprimorando a qualidade. Preocupados com as doenças da planta, ambos estão participando de estudos que visam reduzir as doenças e os danos ao solo, além de melhorar a qualidade do produto.
Histórias como a deles mostram que o tabaco continua sendo um dos pilares da economia de São Lourenço do Sul. Com o equilíbrio entre tradição e modernização, os produtores seguem garantindo a continuidade dessa cultura, que há décadas sustenta milhares de famílias no município.



