
*Com informações da assessoria de imprensa
O programa SUS Gaúcho, lançado pelo governo do Estado em setembro, entrou em funcionamento neste mês e já começa a mostrar resultados concretos no aumento do acesso a consultas, exames e cirurgias no Rio Grande do Sul. A iniciativa, que envolve um investimento adicional de R$ 1,025 bilhão entre 2025 e 2026, tem como meta reduzir as filas de espera e reforçar o atendimento hospitalar em todo o Estado. Em apenas poucas semanas, mutirões de atendimentos oftalmológicos e ortopédicos estão sendo realizados em diferentes regiões, beneficiando pacientes que aguardavam há meses — e até anos — por atendimento.
Em Santo Antônio da Patrulha, por exemplo, o Hospital Santo Antônio deu início aos atendimentos do programa e já realizou mais de 650 das 10 mil consultas oftalmológicas previstas até o fim do ano. A moradora Janaína Conceição da Silva, de 33 anos, foi uma das beneficiadas. “Esperei dois anos por essa consulta. Me ligaram ontem e fui atendida hoje. Espero poder enxergar bem de novo”, contou. O atendimento, realizado na quarta-feira (22/10), representa para ela — e milhares de outros pacientes — o alívio de uma longa espera.
O Hospital Regional de São Jerônimo também iniciou mutirões de cirurgias oftalmológicas e de joelho, enquanto o Hospital São Francisco de Assis (HSFA), em Parobé, prevê realizar 92 cirurgias de joelho só em outubro, ampliando o número para cerca de 200 procedimentos mensais a partir de novembro. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), até o fim de 2025 o programa destinará R$ 175 milhões especificamente para ampliar os atendimentos em oftalmologia e ortopedia — as áreas com as filas mais longas no Estado.
“Com os termos de adesão dos prestadores já encaminhados, esperamos encerrar o ano com uma redução de 70% nas filas para primeiras consultas nessas especialidades”, afirmou Lisiane Fagundes, diretora do Departamento de Gestão da Atenção Especializada da SES.

Investimento recorde na saúde estadual
O governador Eduardo Leite e a secretária da Saúde, Arita Bergmann, lançaram o SUS Gaúcho no dia 25 de setembro, em cerimônia no Palácio Piratini. Segundo o governo, o programa é resultado direto da reorganização fiscal do Estado e de um acordo com o Ministério Público que permitiu a liberação de novos recursos para a saúde.
“Estamos virando uma página na história da saúde pública gaúcha. O SUS Gaúcho simboliza o compromisso de fazer o dinheiro público chegar onde o cidadão realmente precisa: no atendimento. Esse investimento é fruto do equilíbrio fiscal e da parceria com quem está na ponta do sistema”, declarou Leite.
A secretária Arita Bergmann destacou que a cooperação com hospitais e prestadores tem sido essencial para garantir agilidade nos atendimentos. “Os novos recursos permitiram colocar em prática ações efetivas de redução das filas e reforçar os serviços de urgência, transporte e reabilitação em todo o Estado”, disse.
Novos repasses e prioridades
Além da redução das filas, o SUS Gaúcho contempla diversas frentes de atuação, com investimentos diretos nas chamadas “portas de entrada” do sistema, transporte de pacientes, saúde mental, atenção domiciliar e hospitais de pequeno porte. Até o momento, já foram repassados R$ 8 milhões para três áreas estratégicas:
R$ 4,2 milhões para transporte de pacientes;
R$ 2,8 milhões para Unidades de Pronto Atendimento (UPAs);
R$ 980 mil para prontos atendimentos municipais (PAs).
Até o fim de 2025, o valor total destinado a essas iniciativas deve chegar a R$ 24 milhões.
Outra prioridade do programa é o transporte de pacientes, uma das principais causas de faltas em consultas e exames — atualmente, quatro em cada dez vagas não são preenchidas porque os pacientes não conseguem se deslocar. Para enfrentar esse problema, o Estado repassará R$ 12,6 milhões até o fim do ano para 488 municípios, com valores proporcionais à distância percorrida pelos usuários.
Expansão em 2026
No próximo ano, o SUS Gaúcho ampliará o foco para outras especialidades, incluindo cirurgia geral, dermatologia, otorrinolaringologia e urologia, com R$ 180 milhões adicionais em investimentos. Outras áreas também serão beneficiadas, como:
Atenção domiciliar, com criação de 20 novas equipes de atendimento em casa;
Saúde mental, com R$ 3,6 milhões em 60 municípios prioritários;
Reabilitação física e atenção à pessoa com deficiência, com R$ 2,39 milhões para 2025;
UTIs e hospitais municipais, que receberão reforços financeiros para melhorar a estrutura de atendimento.
O governo estima que, com todas as frentes em operação, o SUS Gaúcho alcance redução de até 70% das filas mais críticas e fortaleça o atendimento de urgência e emergência em todas as regiões do Estado.
Um novo ciclo para a saúde pública
Após anos de dificuldades e dívidas herdadas, o governo estadual afirma que o programa representa uma nova fase de investimentos sustentáveis na saúde pública. “O SUS Gaúcho é mais que um plano de governo; é um compromisso de Estado com o cidadão”, reforçou Leite.
Enquanto isso, nas filas que começam a diminuir, histórias como a de Janaína — que finalmente conseguiu enxergar um novo horizonte após dois anos de espera — ilustram o impacto concreto de um sistema público que, aos poucos, se reorganiza para chegar mais perto de quem mais precisa.



