RS encerra colheita do trigo com alta produtividade e qualidade industrial, apesar de perdas pontuais

Produtividade final deve fechar em 3.012 kg/ha, praticamente igual à projeção feita na semeadura (2.997 kg/ha), mas abaixo da estimativa intermediária de outubro (3.261 kg/ha).(Foto: José Schafer/Emater-Ascar)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

A colheita do trigo no Rio Grande do Sul entra na reta final, com apenas 1% da área ainda por colher nas regiões de maior altitude do Planalto e dos Campos de Cima da Serra. Nessas localidades, o ciclo da cultura se estendeu devido ao período vegetativo mais longo. As informações são do Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (11).

Na região de Caxias do Sul, a ausência de chuvas por cerca de 20 dias permitiu o avanço significativo dos trabalhos. A colheita já atinge 80% da área cultivada, com produtividade média elevada, próxima a 3.800 kg/ha, e PH acima de 80 kg/hl. Em algumas áreas de maior investimento tecnológico, as lavouras chegaram a alcançar 6.000 kg/ha.

Produção estadual supera 3,4 milhões de toneladas

A área total cultivada de trigo no Estado é estimada em 1.154.284 hectares, com produção prevista de 3.437.785 toneladas. A produtividade média final deve fechar em 3.012 kg/ha, praticamente igual à projeção feita na semeadura (2.997 kg/ha), mas abaixo da estimativa intermediária de outubro (3.261 kg/ha).

A redução é atribuída principalmente às chuvas na transição de outubro para novembro, que coincidiram com a colheita em parte das regiões produtoras, provocando perdas de massa e qualidade dos grãos. Também pesou o aumento da incidência de doenças fúngicas, especialmente giberela, que afetou espigas e reduziu o volume efetivamente colhido.

Diferenças regionais no rendimento

As condições climáticas e o nível de investimento tecnológico resultaram em faixas distintas de produtividade no Estado:

  • Acima de 3.500 kg/ha – Regiões de Caxias do Sul, Passo Fundo e Erechim, onde clima favorável e uso intensivo de insumos preservaram o potencial produtivo.

  • Entre 2.700 e 3.300 kg/ha – Regiões de Frederico Westphalen, Ijuí, Lajeado, Pelotas, Santa Maria, Santa Rosa e Soledade, com desempenho satisfatório, mas maior variabilidade devido às chuvas e ao manejo fitossanitário.

  • Abaixo de 2.500 kg/ha – Regiões de Bagé e Porto Alegre, impactadas pela instabilidade climática e, no caso da área metropolitana, por menores investimentos.

Qualidade dos grãos é considerada adequada

Os grãos apresentaram boa classificação industrial, especialmente nas áreas com maior nível tecnológico, onde o PH ficou acima de 78 kg/hl, frequentemente superando 80 kg/hl. Nas regiões de menor investimento, a qualidade foi considerada satisfatória, com grande parte da produção registrando PH em torno de 78, e casos pontuais de 76.

De acordo com a Gerência de Classificação e Certificação (GCC) da Emater/RS-Ascar, os grãos se destacam pelo calibre elevado, boa capacidade de germinação e baixa incidência de defeitos de origem microbiana (DOM). A proteína ficou abaixo do ideal, algo comum em anos de alta produtividade e boa disponibilidade hídrica. Ainda assim, a qualidade atende às exigências da indústria cervejeira.

A Emater/RS-Ascar estima que a cultura tenha ocupado 33.513 hectares destinados ao trigo cervejeiro, com produtividade média de 3.486 kg/ha e produção estimada de 110.207 toneladas — desempenho superior ao das demais culturas de inverno, mesmo com área reduzida.