Projeto apoiado pela UE incentiva pesquisa e inovação em agroecologia com protagonismo de agricultoras e agricultores

Demanda das famílias agricultoras em compartilhar o conhecimento popular e desenvolver novas tecnologias impulsionou projeto. (Foto: Divulgação)

A Fundação Luterana de Diaconia (FLD) – Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) iniciou neste ano a execução do projeto Innova Ecovida, com a Rede Ecovida de Agroecologia. O trabalho quer fortalecer os processos de inovação sustentáveis liderados por pessoas agricultoras e suas organizações, nas cadeias de valor da horticultura e fruticultura. Estarão diretamente envolvidas 2,2 mil pessoas da região Sul do Brasil, sendo metade delas mulheres e jovens.

O Innova Ecovida compõe o programa global “Organizações de agricultores líderes em pesquisa e inovação em agroecologia para sistemas alimentares sustentáveis”, chamado de FO-ledR&I, que também contempla ações no Uruguai, executadas pela Comision Nacional de Fomento Rural (CNFR).

O projeto é apoiado pela União Europeia (UE) e Organização de Estados da África, Caribe e Pacífico (OACP), por meio do instituto Infocos Agri-Agência. O lançamento oficial ocorreu no dia 3 de novembro, com participação do público envolvido e de representantes das organizações nacionais e internacionais.

Segundo Joelma Gomes de Queiroz, da coordenação da Rede Ecovida de Agroecologia no Paraná, o projeto foi construído a várias mãos a partir da grande demanda das famílias agricultoras em compartilhar o conhecimento popular e desenvolver novas tecnologias. “Certamente o projeto vai nos ajudar a defender o meio ambiente e produzir comida saudável”, afirmou.

Pesquisa, inovação e formação

Promover pesquisa e inovação e investir fortemente em formação são os dois principais objetivos da iniciativa. A pesquisa e inovação serão promovidas a partir da implantação de 30 unidades de referência em áreas de famílias vinculadas à Rede Ecovida. Já a formação será realizada por meio de cursos, oficinas, dias de campo, seminários e reuniões. A previsão é a de que o projeto seja realizado até 2025.

“A pesquisa e a inovação são fundamentais para o desenvolvimento e a massificação da Agroecologia junto às famílias agricultoras. Isso oportuniza qualificação tecnológica e maior eficiência nos manejos dos processos produtivos, impulsionando a produção de alimentos saudáveis, contribuindo com o desenvolvimento social”, explicou o coordenador técnico do Innova Ecovida e assessor da FLD-CAPA, Luiz Hartmann.

“Esse trabalho de pesquisa é importante pra nós, que buscamos as informações necessárias pro processo, do plantio à comercialização”, disse o agricultor agroecológico Aires Niedzielski, de Porto União (SC). Ele pratica a agroecologia desde 1983 e diz gostar de pesquisar, inovar e estar sempre construindo. “Trabalho para elevar o conhecimento e facilitar o trabalho”, ressalta.

Unidades de Referência

As unidades de referência nas propriedades das agricultoras e agricultores serão construídas nos três estados da região Sul do Brasil, e serão espaços coletivos de conhecimento em quatro temas estratégicos: sementes, mudas de hortaliças, bioinsumos e sistema de plantio direto (SPDH).

Em cada território, as unidades vão atender um conjunto de elementos e circunstâncias locais, que serão base para a implantação das práticas de estudo. Esses espaços vão envolver entidades parceiras, entre elas, universidades e instituições de pesquisa e extensão. Em 2022, já foram estruturadas nove unidades no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A previsão é a de que outras 15 sejam instaladas em 2023 e outras seis em 2024.

Gestão do conhecimento agroecológico

O outro objetivo principal diz respeito à formação e gestão do conhecimento agroecológico. Serão promovidos cursos online e presenciais, comunidade de inovação, oficinas, dias de campo, intercâmbios, seminários e reuniões nacionais e internacionais, sistematização e criação de metodologia de co-inovação.

O primeiro curso do Innova Ecovida foi sobre produção de sementes de hortaliças, realizado na Lapa e em Mandirituba, no Paraná, em outubro. A formação foi promovida em parceria com a Casa de Sementes Aopa e teve o propósito de promover a troca de informações e o aperfeiçoamento na produção, no beneficiamento e na armazenagem de sementes, além do melhoramento local de variedades.

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