No Dia Mundial do Solo, Emater destaca ações para a conservação do elemento no sistema produtivo

As ações conduzidas são centradas no manejo e conservação do solo e da água com agricultores familiares produtores de olerícolas, frutíferas, grãos, fumo e bovinos de leite. (Foto: Emater RS/Ascar)

O solo é o elemento mais importante no sistema produtivo e, por isso, há uma preocupação constante com a sua conservação e recuperação. Não por acaso, o dia 5 de dezembro, foi determinado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da ONU, como o Dia Mundial do Solo, que neste ano tem como tema, “Solos saudáveis para cidades saudáveis”. A campanha reforça como a saúde dos solos está diretamente ligada à qualidade de vida nos centros urbanos, influenciando desde a produção de alimentos até o equilíbrio ambiental.

Assim como os agricultores do mundo inteiro têm a FAO como parceira, em âmbito regional, a Emater RS/Ascar faz este papel junto aos produtores dos municípios da região. De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista rural Fernando Luiz Horn, da Emater/RS-Ascar cada cultura tem um nível de exigência nutricional em relação ao solo. “Usando somente este parâmetro assumimos o risco de penalizar uma espécie com alto teor de nutrientes em detrimento de outra com menores, e o fundamental neste processo é como o produtor rural realiza o manejo e conservação do solo e da água no seu sistema produtivo”, ressalta.

As ações propostas pela Emater/RS são de livre adesão e vontade dos produtores rurais, destaca. Nos dias de campo, por exemplo, são demonstrados exemplos de manejo correto de solo e água, uso de plantas de cobertura, etc. Além disso, há o estímulo e elaboração de projetos técnicos e de crédito rural para implantação de pastagens perenes, que propiciam cobertura permanente do solo, reduzem a evapotranspiração e, consequentemente, mantêm o teor de umidade do solo em épocas de estiagem.

Ele menciona um programa pioneiro de Conservação de Solos, desenvolvido desde outubro de 2023, no município de Arroio Padre, com recursos de emenda impositiva da bancada legislativa municipal. As ações conduzidas são centradas no manejo e conservação do solo e da água com agricultores familiares produtores de olerícolas, frutíferas, grãos, fumo e bovinos de leite, explica. “Até o momento já foram realizados nove módulos, envolvendo parcerias como UFPel, Embrapa, UCP, Equatorial, Coopap, colegas da Emater/RS, empresas privadas e prefeitura”, diz.

Segundo ele, os produtores rurais têm plena consciência do problema, principalmente por visualizarem nas lavouras a perda das camadas iniciais de solo e, dependendo de manejo inadequado, a formação de pequenos sulcos. “Mesmo isto ocorrendo ainda é baixa a adesão ao uso de práticas de manejo e conservação de solo e água”, salienta. Ele também afirma que isso se deve inicialmente ao custo das adequações nos sistemas de cultivo, combinado com a baixa rentabilidade das lavouras, que não suportam o custo da introdução das novas ações e serviços.

O chefe do escritório municipal da Emater de Arroio do Padre, Ricardo Bonini Afonso, fala um pouco sobre a capacitação de agricultores no município para a conservação e recuperação dos solos. “São realizadas atividades práticas e teóricas, visitas a propriedades, participação em dias de campo, excursões, palestras, várias atividades”, salienta.

Afonso relata experiências como o plantio de hortaliças na palha no Arroio do Padre, atividade trazida para o município após excursão a Santa Catarina, na cidade de Angelina, onde os produtores puderam conhecer o trabalho da Epagri em Sistema de Plantio Direto em Hortaliças (SPDH).

Ele explica que Arroio do Padre já tem uma área implantada de hortaliças em plantio direto. A Emater RS atende no município público superior a 400 agricultores por ano, através de diferentes atividades e execução das principais políticas públicas municipais, estaduais e federais.

Em Pelotas, a engenheira agrônoma Janaina Silva, explica que o escritório local também realiza trabalhos do tipo e registram bons resultados. “Historicamente, a extensão rural incentivou o manejo de solos e práticas conservacionistas. E, infelizmente, houveram muitas perdas com as enchentes, que lavaram as lavouras, surgindo uma necessidade de intensificar o trabalho”, diz.

Janaína lembra que o solo é a base da produção, onde as raízes se sustentam e nutrem a planta. “Isto está atrelado ao lucro, produção, produtividade, resistência climática e de doenças e pragas”, ressalta. Para a engenheira agrônoma, é um trabalho que perpassa todas as áreas produtivas, como a pecuária, em que os animais necessitam das pastagens para se alimentar. Segundo ela, com os recursos do programa Terra Forte, deve se intensificar, nos próximos anos, este trabalho de manejo e conservação do solo.