Num cenário de preços baixos e alta do litro do diesel, o produtor gaúcho já colheu pelo menos um terço da área plantada de arroz na safra 2025/2026. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de uma produção de 7,8 milhões de toneladas, uma retração de 10,4% na produção em relação ao período anterior. O Rio Grande do Sul semeou na atual safra 891.908,5 hectares de arroz irrigado, o que significa uma diminuição de 8,06% em relação ao ciclo anterior. Segundo a Coordenadoria Regional do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), as seis regiões arrozeiras do Estado, distribuídas em 166 municípios, registraram queda na área plantada, com variações entre 4% e 11%. A produtividade estimada para este ano também deve ser inferior aos nove mil quilos obtidos na safra passada.
Não bastassem os custos elevados na produção do grão, os conflitos no Oriente Médio desencadearam um reajuste de aproximadamente 20% no valor do diesel, nos postos de gasolina. Há relatos, ainda, de escassez do produto, indispensável para realizar e transportar a colheita, em determinados municípios do Estado. O levantamento preliminar divulgado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), na segunda-feira (23) aponta que pelo menos 143 municípios gaúchos enfrentam falta do combustível.
O diretor executivo e jurídico da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Anderson Belloli, confirma os impactos negativos do valor do diesel no custo de produção da lavoura arrozeira, que já enfrenta uma crise comercial muito grande. “Mal estourou a primeira bomba no Oriente Médio, o valor do diesel passou de R$ 5,78 para R$ 7,80 e, em alguns municípios como Uruguaiana, chegou a R$ 9,50”, ressalta.
Segundo ele, a Federação está atenta e já tomou providências junto a órgãos de segurança do Estado, como Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e Procon, para que seja investigada a veracidade destas informações ou se há especulação de preços junto a alguns estabelecimentos. Conforme ele, as entregas do combustível também ocorrem com maior atraso. “Estamos fazendo o que nos cabe”, afirma.
Em relação ao preço do saco de arroz, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontou reação nos preços, no mês de março, o que segundo Belloli, se tratou de uma leve reação, insuficiente para cobrir os elevados custos de produção da atividade. “Mesmo com elevação de R$ 3 ou R$ 4, os valores ainda estão muito abaixo do custo, calculado entre R$ 85,00 e R$ 90,00”, reforça. De acordo com Belloli, medidas como aumento das exportações e redução de área, além da estimativa de produtividades mais baixas, podem impactar os preços. O Irga ainda não divulgou nenhum levantamento de colheita, mas a estimativa, conforme observa, é de que entre 25% e 30% da área já esteja colhida, com maiores atrasos na Depressão Central e região da Campanha.
Na Zona Sul, o Irga apurou na quarta-feira (18), 26% da área colhida de um total de 136.641 hectares semeados. O coordenador regional Igor Kohls acredita que esta semana deve fechar em 30% da área colhida. “Santa Vitória do Palmar é o município mais atrasado, devido às chuvas recorrentes”, diz. Com a previsão de uma janela de pelo menos dez dias sem chuvas, o agrônomo acredita que a área colhida deve evoluir, nos próximos dias.
Para Kohls, a colheita do cereal na região começou no dia 20 de fevereiro, antes do evento de abertura oficial e de maneira geral, as produtividades estão menores do que as obtidas no ano passado. “Estes primeiros materiais colhidos são de variedades mais precoces e que sofreram os efeitos do frio ocorrido no começo de janeiro e o calor registrado no final de janeiro e início de fevereiro”, salienta. Ele destaca que a variação de temperatura atingiu as plantas na fase reprodutiva e provocou esterilidade no grão, reduzindo a produtividade.





