Colheita do tabaco está praticamente encerrada na região

A safra de tabaco sul-brasileira 2024/2025 fechou com área plantada de 309.982 hectares, um aumento de 9,08% em relação ao ano anterior. (Foto: Lula Helfer)

Com 98% do total de tabaco das lavouras estabelecidas colhido, a colheita da cultura está em fase final na Zona Sul do Estado e deve se estender até o final do mês de março. A área implantada na safra 2024/2025 foi de 27.363 hectares, com 8.977 produtores envolvidos. A produtividade de referência ficou em 2.350 quilos por hectare de folhas secas. As informações são da Emater, através do seu Informativo Conjuntural semanal.

Ainda segundo a Emater, os produtores relatam a aceleração da maturação das folhas de tabaco devido ao clima quente, seco e de alta radiação solar, o que pode comprometer o planejamento da secagem dessas folhas nas estufas. Com as negociações de reajustes nos preços do tabaco acordadas, intensifica-se a comercialização da safra 2024/2025 e o envio de cargas para as empresas compradoras. Os preços praticados variam entre R$ 300,00 e R$ 350,00 a arroba do tabaco.

Em outras regiões do Estado, como Soledade, a colheita continua em lavouras com plantio tardio. A produção está armazenada nos galpões, aguardando preço para comercialização. A safra, de maneira geral, é considerada superior às anteriores, impulsionada pela boa cotação em 2024 e mantendo os padrões de qualidade das folhas.

Em Santa Rosa, os principais municípios produtores se localizam próximos ao Rio Uruguai, onde houve um pequeno aumento da área plantada com fumo. Estão em andamento os trabalhos de classificação e de envio da produção para as empresas. O produto, segundo os produtores, está sendo remunerado a R$ 18,00 o quilo, e as primeiras vendas da produção estão sendo realizadas.

A safra de tabaco sul-brasileira 2024/2025 fechou com área plantada de 309.982 hectares, um aumento de 9,08% em relação ao ano anterior. Por tipo, nos três estados, o incremento de área no Virginia é de 9,17%, no Burley é de 6,54%, e no comum é de 18,23%. O Rio Grande do Sul teve incremento de área de 4,6%, com 131.789 hectares plantados. Mas o estado com o maior aumento foi o Paraná, com 13,63%, totalizando 83.981 hectares. Santa Catarina teve aumento de 11,78%, com 94.212 hectares plantados. Os dados são da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

O número de famílias produtoras também aumentou, de 133.265 na safra 2023/24 para 138.020 na safra atual, ou seja, 3,57% a mais. Novamente, o maior incremento foi no Paraná (10,1%), com 27.062 famílias produtoras, seguido por Santa Catarina (4,03%), com 41.720 famílias produtoras, e Rio Grande do Sul (0,96%), com 69.238 famílias.

Para a safra 2024/2025, a estimativa inicial de produção feita pela Afubra aponta para um incremento de 37,08%, o que resultaria em 696.435 toneladas produzidas no Sul do Brasil: 630.539 toneladas de Virginia (36,52%), 54.624 de Burley (44,07%) e 11.272 de Comum (36,45%). Somente no Rio Grande do Sul, a estimativa é de chegar a 281.037 toneladas (27,75%), divididas em 251.067 toneladas de Virgínia (26,63%), 28.913 toneladas de Burley (37,77%) e 1.056 toneladas de Comum (43,98%).

O incremento é liderado por Santa Catarina (49,84%), com estimativa de produzir 225.239 toneladas: 206.591 de Virginia (49,14%), 16.793 de Burley (56,17%) e 1.854 de Comum (77,81%). No Paraná, estima-se incremento de 38,06%, ou seja, 190.160 toneladas: 172.881 de Virgínia (38,22%), 8.918 toneladas de Burley (44,42%) e 8.362 toneladas de Comum (28,95%).

O presidente da Afubra, Marcilio Drescher, lembrou que se trata de uma estimativa inicial, considerando-se uma produtividade histórica, podendo mudar diante de situações adversas do clima. “O que vai determinar a safra é o clima e precisamos levar em conta que são mais de 500 municípios produtores no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, um universo amplo de produção”, salienta. Segundo ele, muitas vezes, quando em uma ou outra região o clima castiga e dá uma certa quebra de produção, em outras ele é favorável, o que faz com que a produtividade e a produção sejam positivas. Ele descarta uma supersafra, visto que, em algumas regiões, a produção normal já foi afetada. A Afubra acompanha as informações a cada semana até o fim da safra.

Em 2023/2024, a produção sul-brasileira de tabaco fechou em 508.041 toneladas. A variedade Virgínia chegou a 461.866 toneladas, o Burley, 37.915, e o Galpão Comum, 8.260 toneladas. O Rio Grande do Sul fechou a produção em 219.992 toneladas (198.272 de Virgínia, 20.987 de Burley e 733 toneladas de Comum). O estado participou com 43,3% na produção sul-brasileira, com uma área de 125.996 hectares (7,1% a mais), produzidas por 68.582 famílias produtoras (+5,9%).