
A colheita do arroz, iniciada nos primeiros dias do mês de fevereiro, avança no Estado e fechou na última semana com quase 40% da área plantada. Na análise da diretora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Flávia Tomita, o tempo seco facilita os trabalhos nas lavouras. Segundo ela, a região produtora com maior área colhida é a Fronteira Oeste, que é a primeira a iniciar os trabalhos de semeadura e, consequentemente, também a colheita. Essa região está bem adiantada, com mais de 60% da área colhida. As regiões mais atrasadas são a Zona Sul e a região Central. “Já era esperado, pois a semeadura foi mais tardia e demora mais para colher também”, ressalta.
Segundo ela, a colheita ocorre sem surpresas, com boas produtividades. “Ainda não temos estimativas de produção e produtividade, o que é feito quando se atinge 50% da área colhida. Então, podemos falar em produtividade média”, ressalta. Ela adianta que as produtividades, até o momento, são consideradas boas.
Os últimos dados divulgados sobre a colheita do arroz, coletados e divulgados semanalmente pelo Irga, indicam, no dia 20 deste mês, uma área colhida de 385.469,88 hectares, o que representa 39,63% da área semeada no Estado. A Fronteira Oeste lidera a colheita, com 60,2% da área semeada já colhida, seguida pela Planície Costeira Externa (PCE), com 46,68%, Planície Costeira Interna (PCI) com 40,59%, Campanha com 29,69%, Região Central com 24,97% e Zona Sul com 18,7%.
O Irga divulga os dados sobre a colheita do arroz ao final de cada semana, por meio da plataforma Safra, que oferece informações precisas e detalhadas sobre o andamento da semeadura e da colheita. A plataforma é alimentada pelos 37 escritórios do Irga distribuídos em todas as regiões arrozeiras do Estado.
Na Zona Sul, os trabalhos já ultrapassam os 19%, número coletado na última semana, segundo o coordenador regional do Instituto, engenheiro agrônomo Igor Kohls. “A Zona Sul segue como a regional com a menor área colhida, reflexo do começo da semeadura, pois fomos a última das regiões produtoras a começar a semeadura”, ressalta.
Kohls explica que esse atraso acaba se refletindo na colheita um pouco mais atrasada em relação às demais. “Desde a semana passada, deu uma engrenada, pois, com a falta de chuvas, a totalidade das unidades produtivas está colhendo”, ressalta. Pelotas é o município mais adiantado em relação aos demais produtores da região, com 34% da área colhida na última semana. Santa Vitória, Jaguarão e Rio Grande estão com 18%, e Arroio Grande, que tradicionalmente começa mais tarde, tem 12%”, diz.
Ele adianta ainda que as produtividades estão muito parecidas com as do ano passado, quando foram relativamente boas, pois os produtores conseguiram plantar quase toda a área dentro da melhor época. “Este ano, embora tenha havido atraso no começo, a área plantada está parecida com a do ano passado”, diz. Ele menciona ainda que há relatos de alguns produtores sobre rendimento de inteiros inferiores ao do ano passado e que as umidades nos materiais de ciclo médio, como o 424, estão custando a baixar. Por isso, a evolução na colheita tem sido mais demorada, finaliza.

O Estado semeou 970.194 hectares de arroz irrigado na safra 2024/2025. A área é 7,8% maior do que a do ano passado, um acréscimo de 69.991 hectares em relação à safra 2023/2024. Houve incremento no plantio em todas as regiões produtoras, com destaque para a Zona Sul, que fechou com 168.071 hectares semeados, um incremento de 8,91% em relação a 2023/2024.
Mercado
Os produtores da região relatam preocupação com os constantes declínios nos preços de comercialização, apesar da possibilidade de uma boa safra. Segundo a Emater, os preços do cereal em casca na praça de Pelotas operam com variações nas cotações, com valores de R$ 79,88 por saco de 50 quilos. Este preço é para o arroz posto nas beneficiadoras de arroz de Pelotas e sem o desconto do INSS.
Ocorrem variações nos preços praticados nos municípios, em razão da qualidade do produto, rendimento de engenho e do frete. Valores pagos aos produtores tiveram variações em alguns municípios, sendo comercializado em Santa Vitória do Palmar a R$ 83,00; Jaguarão a R$ 94,00; Arroio Grande a R$ 85,00; Turuçu a R$ 90,00; São Lourenço do Sul a R$ 84,58 e Rio Grande no valor de R$ 83,00.



