Alimentos da agricultura familiar chegam às famílias em vulnerabilidade na pandemia

Alimentos são entregues para famílias carentes de sete municípios da região (Foto: Divulgação)

Em meio às notícias negativas recebidas diariamente durante este mais de um ano de pandemia de coronavírus, um alento: o alimento está chegando a milhares de pessoas em vulnerabilidade social da região e pelas mãos de quem também luta para sobreviver, o agricultor familiar.

Uma iniciativa da Emater/RS-Ascar e cooperativas de agricultores familiares está levando alimentos para famílias carentes, assistidas através do Cadastro Único (CadÚnico), para os municípios de Arroio Grande, Morro Redondo, São José do Norte, Canguçu, Arroio do Padre, São Lourenço do Sul e Pelotas. Desde novembro e por um ano, 440 toneladas em frutas, hortaliças e grãos devem chegar à mesa de 9.993 pessoas, muitas vivendo em condições de extrema pobreza. Em contrapartida, serão R$ 1,2 milhão que entrará na conta de centenas de agricultores familiares, 168 apenas nos sete municípios. Pelo menos, 50% do projeto já foi concluído, através de doações semanais e um total de 200 toneladas de alimentos entregues.

Os recursos são oriundos de crédito extraordinário ao Ministério da Cidadania, em 2020, destinado ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade compra, com doação simultânea e execução pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O recurso foi disponibilizado ao Setor de Programas Institucionais e Sociais de Abastecimento, vinculado à Gerência de Operações do Rio Grande do Sul Geope/Sepab-RS da companhia e habilitadas e contratadas 37 propostas de cooperativas de agricultores familiares de todo o Estado.

Em todo o Rio Grande do Sul, são mais de 950 famílias de agricultores familiares de 89 municípios participantes, que fazem chegar alimentos de qualidade a quase 220 mil pessoas em situação de insegurança alimentar e vulnerabilidade social. Na região, a ação é coordenada pela Unidade de Cooperativismo da Emater, chefiada pelo extensionista rural Marcos Protzen e pelo escritório municipal da Emater de Pelotas, que tem à frente o extensionista Francisco Arruda.

Na região de Pelotas, foram habilitadas e contratadas oito cooperativas – (Cafsul), Cooperativa de Pescadores de Santa Isabel (Coopesi), Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap), Cooperativa dos Agricultores Familiares de Morro Redondo (Coopamor), Cooperativa de Agricultores Familiares de São José do Norte (Cooafan), Sul Ecológica, Associação Regional dos Produtores Agroecologistas da Região Sul (Arpasul) e Cooperativa dos Produtos Agrícolas do Monte Bonito (Coopamb) – atendidas pelo Programa de Extensão Cooperativa (PEC), do governo do Estado, programa executado pela Emater/RS-Ascar, através da Unidade de Cooperativismo (UCP). Os alimentos chegam às famílias de Pelotas e municípios da Zona Sul, por meio de organizações socioassistenciais, como o Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá.

O PAA é uma das principais políticas públicas de geração de renda para os agricultores familiares e para o fortalecimento de cooperativas e associações. Um exemplo é o projeto da Coopamb, em favor do Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá de Pelotas.
A cooperativa tem quadro social de 78 agricultores familiares que produzem frutas, legumes e hortaliças. O seu projeto foi habilitado e contratado no valor de R$ 115.372,60.

Esse valor está sendo revertido na doação de mais de 55 toneladas de alimentos em favor do Banco de Alimentos que atende mais de 1,38 mil pessoas somente em Pelotas. Desde novembro de 2020, a Coopamb realizou a doação semanal de mais de uma tonelada de frutas, legumes e hortaliças para essas famílias atendidas pelo Banco de Alimentos. Em seis meses, a cooperativa já repassou mais de 30 toneladas de alimentos ao Banco, o que corresponde a 70% do projeto.