Agrônomo dá orientações sobre a implantação de novos pomares de pêssego neste inverno

Engenheiro agrônomo lembra que o planejamento do pomar deve ser iniciado antes do plantio, com conhecimento de aspectos como a comercialização, custos e tecnologias envolvidas na produção. (Foto: Arquivo/JTR)

Em toda a região produtora de pêssegos acontecem, desde o mês de junho, novos plantios de pomares, com a implantação dessas cultivares do tipo indústria, segundo a Emater. Estes pomares, predominantemente, vêm em substituição aos pomares em final de ciclo produtivo. Segundo o engenheiro agrônomo Nélson Finardi, especialista em Fruticultura, o planejamento do pomar de pessegueiro deve ser iniciado muito antes do plantio, que ocorre no inverno. “Envolve, principalmente, conhecimento sobre comercialização, custos, tecnologias envolvidas na produção, entre outros”, aponta.

Ele ressalta que para atingir os objetivos propostos é de fundamental importância a escolha do local onde será implantado o pomar. “O local tem relação direta com a produtividade e a longevidade das plantas”, observa. Finardi explica que o pessegueiro tem como uma de suas características a necessidade de muito ar (oxigênio) no solo para o adequado desenvolvimento das raízes e da planta como um todo.

Ele orienta a importância de selecionar um local que possibilite a construção de camalhões. “O objetivo é evitar o encharcamento do solo pelas águas das chuvas prolongadas de primavera/verão, na área aonde irá se desenvolver as raízes”, ressalta. Segundo ele, deve-se evitar locais planos, que dificultam o preparo do solo de forma adequada. “Antes do plantio é a ocasião de refazer a correção do PH e a aplicação do fósforo”, alerta.

Pesquisas realizadas pela Embrapa, nas décadas de 80 e 90, comprovaram que a principal causa da morte, parcial ou total, da planta é a asfixia das raízes. “O problema também ocorre na Europa (França, Itália, Espanha, por exemplo) em anos com pluviometria (volume e duração das chuvas) acima das médias normais”, diz.

Finardi salienta que o problema ocorrido no Sul do Brasil não deve ser confundido com “a vida curta da planta de pessegueiro (Peach Tree Short Life)”, que ocorre no Sudeste dos Estados Unidos. “Segundo a publicação da Michigan State University, o problema é causado principalmente pelo frio (baixas temperaturas) e cancros [lesões] devido a Pseudomonas e Leucostoma, além de outros fatores que predispõem o pessegueiro ao problema, como nematoides, porta-enxertos, e outros”, salienta. Segundo ele, considerações sobre asfixia radicular não são feitas pela universidade.

De acordo com o agrônomo, o plantio em camalhões de base larga de no mínimo quatro metros, com declividade em torno de 1% para cada linha de plantas, é recomendado pela pesquisa há mais de 50 anos, desde a época da Estação Experimental de Pelotas, na Cascata.

Ele explica porque é recomendado o uso do camalhão para o pessegueiro e não para as outras frutíferas como videira, caquizeiro, pereira, macieira, em condições semelhantes de clima e solo da região. “O pessegueiro é diferente das demais frutíferas por fazer parte de um grupo de plantas chamadas de Cianogênicas e ser classificado como extremamente sensível à asfixia”, ressalta. A árvore possui em seu interior, principalmente, prenasina nas raízes, glicorídeos cianogênicos, que em condições adversas de cultivo pode se transformar principalmente em ácido cianídrico, que é tóxico para a planta.

Quando as águas das chuvas prolongadas, de 5 a 7 dias, ocupam o espaço com o ar (oxigênio) do solo a níveis críticos para o pessegueiro (menos de 5 a 5% de oxigênio) pode ocasionar o problema com maior ou menor intensidade. “Pode ocorrer desde a morte de alguns ramos ou de toda a planta”, diz. Isso irá depender do volume e da duração das chuvas. “Chuvas no inverno não causam o problema porque a planta está em dormência”, salienta.

Ele conta que na região há vários pomares que não apresentam o problema de morte de plantas porque foram implantados de acordo com as recomendações da pesquisa, citadas anteriormente. “Nas últimas duas décadas, o problema foi agravado devido ao plantio em filas retas paralelas, sem os devidos cuidados necessários para evitar o encharcamento do solo”.

O agrônomo frisa, ainda, os cuidados quanto ao uso de herbicidas. “Não deve ser usado herbicidas em plantas novas (antes dos 3 a 4 anos), pois se tem observado plantas novas danificadas ou mortas pelo uso indevido”, alerta. Ele lembra que a sintomatologia é característica e diferente da asfixia.

Mais esclarecimentos podem ser obtidos na publicação da Embrapa “Morte de plantas de pessegueiro e ameixeira por asfixia do sistema radicular” ou com o autor, pelo telefone (53) 98118-6878.

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