Cláudio Quevedo aposta em pré-candidatura com foco no agronegócio

Após 30 anos de sua primeira eleição, Quevedo volta como pré-candidato a deputado Estadual. (Foto: Lylian Santos/JTR)

Na última semana, o Tradição Entrevista recebeu o pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Progressista (PP), Cláudio Quevedo. Natural de Piratini e radicado em Canguçu, o produtor rural e ex-vereador apresentou as principais pautas que pretende defender na disputa eleitoral, com destaque para o fortalecimento do agronegócio, ampliação da representatividade e investimentos em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional. A entrevista completa está disponível no canal do Youtube do JTR.

Com trajetória construída na política, setor rural e a iniciativa privada, Quevedo iniciou sua caminhada aos 18 anos, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara de Vereadores pelo então PDS. Foi vereador por três mandatos consecutivos entre 1989 e 2000, atuou como secretário municipal de Agricultura e Pecuária em 1997 e presidiu o Diretório Municipal do Partido Progressista em Canguçu. Atualmente, atua como produtor no terceiro distrito de Piratini, nas áreas da pecuária de corte, ovinocultura e cultivo de soja, além de coordenar o Movimento SOS ERS 265/702.

Apesar da experiência acumulada, Quevedo afirma encarar o retorno ao cenário eleitoral como uma nova etapa. Para ele, mais importante do que a divisão entre velha e nova política é a construção de uma voltada ao serviço público. “Eu prefiro falar na boa política. Precisamos trabalhar para servir a comunidade e acredito que dá para fazer isso sempre quando você tem esse senso coletivo e essa vontade de trabalhar para as pessoas”, explica.

A representatividade da região sul do Estado preocupa o pré-candidato. “A nível de Assembleia Legislativa, faz algumas décadas que a gente não consegue preencher nem 5 cadeiras. Nós escutamos muitas vezes alguns políticos dizerem que o eleitor não sabe votar. Eu não penso dessa forma. Eu penso que, enquanto agente político, também temos que dar exemplo. Hoje temos um modelo que privilegia quem já tem o mandato. Então, é importante que o eleitor se conscientize e que escolha o representante daqui, independentemente de partido”, diz.

Campo como prioridade

Com atuação profissional ligada ao crédito rural, o empresário afirma que a realidade enfrentada pelo campo exige maior atenção do poder público, especialmente diante das perdas provocadas por estiagens e eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos. Segundo ele, a produção agropecuária depende cada vez mais de políticas públicas que deem segurança ao produtor. Entre os pontos defendidos por ele estão o incentivo à irrigação, ampliação do acesso ao crédito e fortalecimento dos mecanismos de mitigação de risco. “Hoje o produtor rural é um herói. Além de depender da questão climática, enfrenta dificuldades de acesso ao crédito, aumento dos custos e redução das garantias para continuar produzindo”, afirma.

Quevedo também destacou a defesa da securitização das dívidas rurais como uma das medidas necessárias para a reorganização de passivos e retomada de investimentos. Para ele, a proposta não representa perdão de dívidas, mas condições para que o setor mantenha a atividade econômica. “O produtor não está negando dívida. Ele quer pagar, mas precisa ter condições para sobreviver e continuar produzindo”, ressalta.

Além das pautas ligadas ao setor produtivo, Quevedo também defendeu outras áreas sociais como setores estratégicos para o desenvolvimento regional. “Saúde e educação caminham juntas, porque tu precisas ter saúde para ter condições mínimas, até para buscar a tua formação e o teu aprendizado. Em termos regionais, apesar de nos últimos anos ter havido um avanço, nós temos várias especialidades hoje que não são tratadas em alguns hospitais de municípios menores aqui da região”, pontua.

Pedágios

Outro tema abordado durante a entrevista foi a infraestrutura regional. Quevedo criticou modelos de concessão rodoviária e afirmou ser contrário à implantação de novos pedágios na região Sul. Na avaliação dele, investimentos em rodovias e logística devem ocorrer por meio de recursos públicos e não com aumento de custos aos usuários. “Precisamos de grandes obras estruturantes para a região, mas elas precisam acontecer com recursos dos governos e não penalizando novamente quem já paga uma carga tributária elevada”, argumenta.

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