Uma roda de conversa para falar de política

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

As eleições municipais deste ano entram para a série em que a política partidária se distancia cada vez mais da população. Não é de hoje que os ditos “cidadãos” e “cidadãs” (como se a denominação pudesse ser utilizada pelos politiqueiros como adjetivação) sentem que o que se fala não rima com a realidade do que os eleitos fazem. Ou, concretizam bem menos do que o possível nas áreas básicas, na conservação e cuidados, deixando os espaços públicos desleixados, feios, praticamente abandonados…

Esta é uma disputa “paroquial” travestida de interesses que podem ser, até, nacionais. Como se tem visto o acirramento entre as figuras do atual presidente e do ex-presidente, que jogam seus interesses não naquilo que a população precisa no lugar em que vive, mas armam jogos políticos para as próximas eleições, quando se disputa o real poder e interesses financeiros. Pena que até organismos sérios de representação popular tenham se sujeitado, o que os levou a desaparecer ou entrar em processo de inanição.

Articulações partidárias ramificaram para sindicatos, igrejas, associações. Literalmente, empestando as relações e disseminando a cizânia. Desorientaram os incautos e deram pilha para aqueles que desejavam instituir dentro destes grupos os mesmos interesses de poder que prejudicaram a máquina pública. Os mais “ousados” lançaram candidaturas próprias e se perderam nos meandros do pior que existe na política: não defendem mais os interesses das instituições e sequer se tornaram a raposa que cuida do galinheiro…

Quando sindicatos, igrejas e associações começaram a dizer em quem votar, esqueceram da sua função básica: lugar para que os congregados de todas as matizes ideológicas possam sentar, conversar e exercer o legítimo direito de pressão sobre as autoridades constituídas e representativas. Prostituíram-se as relações. Chegou a se dizer que política, religião e futebol não se discute (embora se lamente). Quem não deseja que se discuta tem interesses escusos no sentido de querer manobrar destinos alheios.

Ambientes arejados pelo convívio democrático são plurais, onde se trata da realidade presente e se sonha em conjunto a solução dos problemas estruturais. Infelizmente, foram sendo guardados ressentimentos, que hoje, por qualquer razão se vomitam desaforos e se transformam aqueles que já estiverem próximos em desafetos. Precisamos de uma roda de conversa para se falar sobre política. Daquelas em que se contam casos, se repassa um mate e ainda se tem coragem de conversar olho no olho.

As desconfianças nos afastaram com feridas difíceis de sarar. Não somos uma sociedade politizada. Conversando com o professor Marasco sobre o primeiro mandato do prefeito Bernardo de Souza, lembramos: “Fizemos a política da inocência”. Infelizmente, a inocência está perdida. Mas se pode reaprender o básico: democracia é a arte do diálogo e do consenso. Aceitando nos jogar uns contra os outros, por meias-verdades e mentiras travestidas, não é só o adversário que perde, mas todos nós que, um dia, sonhamos com uma sociedade onde os valores sejam a liberdade, a igualdade e a fraternidade…

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome