Semana Santa: o caminho da dor, o caminho da esperança

A Semana Santa é, para os cristãos, o momento mais importante do ano – desde o domingo de Ramos, quando Jesus ingressa em Jerusalém; institui a Eucaristia, na quinta; agonia e morte, na sexta, até o domingo de Páscoa. Dias de reflexão baseada nos evangelhos, que contam a história de Jesus, o filho do carpinteiro, que viveu 30 anos em Nazaré e, por três, fez o anúncio de que era o Filho de Deus – anunciador de um novo Reino. Das narrativas, uma delas se destaca, a de São Lucas, exatamente por ser quem não conviveu com Jesus. Mas se pode imaginar como teria acontecido…

Lucas olhou para a rua. Parecia ter todo o material necessário. Conversara com Maria e Pedro, conseguira os escritos de Marcos e ouvira das pregações de Jesus através do que uns contavam aos outros (tradição oral), ou de algumas pessoas que tinham anotado frases ou sentenças. Sabia que faltava alguma coisa… percorrera Israel como peregrino, mas não chegara a Jerusalém. Os apóstolos estavam mais ao norte, onde ainda viviam Maria e João. Muitos ainda pescavam e mantinham atividades com as famílias, frequentando e pregando nas sinagogas dos judeus.

Era hora de visitar a cidade santa. À tardinha, avistou os muros decantados pelos escritores sagrados. Queria iniciar seu percurso pelos derradeiros passos de Jesus: o lugar da última Ceia. Não teve dificuldades de entrar. Era o suficiente para um pequeno grupo fazer a refeição, o jantar de Jesus com seus discípulos. Saiu em direção ao Jardim das Oliveiras. No escuro, apenas o luar mostrava as formas dos arbustos e das árvores. E o peso da dor vivida por antecipação…

Dia seguinte, percorreu os palácios onde Herodes e Pilatos sentenciaram o Galileu. Nas primeiras horas da tarde, iniciou a caminhada até o Calvário: imaginou Simão, o Cirineu, que o ajudou a carregar o lenho; as mulheres que choravam entristecidas e desamparadas; as quedas que machucavam, dificultavam a respiração e tornavam difícil levantar. O largo campo da morte, lugar infestado por animais que procuravam restos, um descampado cheirando a tristeza e dor….

No chão, as marcas dos buracos onde enterravam o lenho principal, no qual pendurariam a parte em que os braços ficavam estendidos. Por aquilo que lhe contaram, imaginou o lugar onde Jesus, em plena agonia, fora capaz de abençoar a humanidade dando-lhe uma mãe. As palavras ecoavam em sua memória, ditas a João: “eis aí a tua mãe!”. Difícil não imaginar homens e mulheres que fizeram a longa vigília, abatidos e confusos, diante do que a morte parecia roubar da própria vida….

Lembrar do que aconteceu dava motivos para que desejasse fazer ecoar, ao longo dos tempos, a história do homem que dera novo sentido à sua vida. Passaram-se anos, mas o sentimento era de que conversas, pregações, risos, caminhadas, milagres, ainda não estavam concluídos. Um novo pregador trouxera uma nova pregação. Mostrou, para quem ainda o ama, que valia a pena persistir, já que o caminho da dor é, também, o caminho da esperança! Feliz e abençoada Ressurreição!

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