Perigos de misturar remédios e álcool, câncer no intestino e incentivo para parar de fumar

Hospital Miguel Piltcher.

OS PERIGOS DE MISTURAR REMÉDIOS E ÁLCOOL

Pode ser uma taça de champanhe para brindar, uma cerveja gelada na praia ou uma caipirinha com amigos no bar. Mas se você estiver tomando certos medicamentos ao mesmo tempo, seu corpo pode ser afetado de várias maneiras.

Misturar determinados remédios com álcool significa que eles podem não funcionar tão bem. Com outros, você corre o risco de ter uma overdose potencialmente fatal. Depois que você toma um medicamento por via oral, ele vai para o estômago. De lá, é transportado para o fígado, onde é metabolizado e decomposto antes de entrar na corrente sanguínea.

Cada remédio que você toma é fornecido em uma dose que leva em consideração a quantidade de metabolismo que acontece no fígado. Quando você ingere bebida alcoólica, o álcool também é decomposto no fígado, e isso pode afetar o quanto do medicamento é metabolizado. Alguns remédios são mais metabolizados, o que pode significar que não chega à corrente sanguínea uma quantidade suficiente para serem eficazes. Outros medicamentos são menos metabolizados. Ou seja, você recebe uma dose muito maior do que a prevista, podendo levar a uma overdose. Os efeitos do álcool (como a sonolência) podem se somar aos efeitos similares que um medicamento pode ter.

Se você vai ter ou não uma interação medicamentosa, e qual interação você vai ter, depende de vários fatores. Isso inclui o medicamento que você está tomando, a dose, a quantidade de álcool que você consumiu, sua idade, genética, sexo e estado geral de saúde. Mulheres, idosos e pessoas com problemas hepáticos são mais propensas a terem uma interação medicamentosa com álcool.

CÂNCER NO INTESTINO E SEUS RISCOS

A cantora Preta Gil, de 48 anos, usou as redes sociais para contar que foi diagnosticada com câncer no intestino, também chamado de câncer colorretal, após exames terem apontado a presença de um tumor adenocarcinoma na porção final do órgão. O adenocarcinoma é o tipo de tumor maligno que causou o câncer de intestino da cantora.

Ele se desenvolve em pólipos (crescimento anormal de tecidos em regiões como o intestino) que, embora sejam considerados benignos, se não identificados e tratados precocemente, podem sofrer alterações ao longo dos anos e se tornar cancerígenos.

No caso específico dos tumores intestinais, os médicos explicam que muitos se desenvolvem de modo assintomático, o que ressalta a importância de exames de rastreamento. O câncer no intestino, também conhecido como câncer de colón ou colorretal, é o segundo mais frequente no aparelho digestivo e o terceiro que mais mata no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Outras personalidades famosas, como os ex-jogadores Pelé e Roberto Dinamite, também sofreram com a doença. A doença afeta ambos os sexos, em geral a partir dos 45 anos, é mais frequente na faixa entre 60 e 70 anos de idade. Entre os fatores de risco, destacam-
se, hábitos alimentares não saudáveis, obesidade, sedentarismo, tabagismo e alto consumo de bebidas alcoólicas, histórico familiar de câncer colorretal, de ovário, útero e/ou câncer de mama, preexistência de doenças como retocolite ulcerativa crônica, doença de Crohn e doenças hereditárias do intestino.

INCENTIVO PARA PARAR DE FUMAR

Os pulmões têm uma capacidade quase “mágica” de reparar alguns danos causados pelo cigarro. As mutações que levam ao câncer de pulmão eram consideradas permanentes e persistentes, mesmo após o indivíduo abandonar o cigarro. Mas uma descoberta surpreendente, publicada na revista científica Nature, revela que as poucas células que não foram danificadas pelo tabagismo podem regenerar o órgão.

O efeito foi observado mesmo em pacientes que fumaram um maço de cigarros por dia durante 40 anos antes de parar de fumar. As substâncias químicas presentes no cigarro danificam e provocam mutações no DNA das células pulmonares – transformando lentamente as células saudáveis em células cancerígenas. O estudo – que analisou amostras dos pulmões de 16 pessoas, incluindo fumantes, ex-fumantes, indivíduos que nunca fumaram e crianças – mostrou que isso acontece em grande escala nos pulmões de um fumante, antes mesmo de a pessoa desenvolver um tumor.

O estudo se concentrou nas vias respiratórias principais. Os pesquisadores ainda precisam avaliar o quanto os pulmões são de fato recuperados. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco em cerca de 85% dos casos diagnosticados. Estudos já mostraram anteriormente que as pessoas podem reduzir o risco de desenvolver a doença praticamente desde o primeiro momento após parar de fumar.

A suposição era que isso acontecia simplesmente porque quaisquer outras mutações causadas pelo tabagismo seriam evitadas.

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