Pequenas coisas bobas…

Durante as últimas semanas, as rodas sociais e os meios de comunicação tiveram elementos para fazer uma ampla discussão do que está se passando nas áreas da política, economia, comportamento moral e ético… São tantas coisas “sérias” tratadas que senti falta de quem falasse das coisas simples da vida, aquelas que não chegam a fazer uma grande mudança, mas alcançam significado especial quando se olha pelo lado dos relacionamentos, especialmente os afetivos…

Por exemplo, o grupo de ciclistas que inovou ao adaptar bicicletas com dois lugares e partilhar o prazer de percorrer estradas e caminhos acompanhados por pessoas com deficiência física (inclusive da visão) ou mental. Para aqueles que não enxergam, há um complemento: fazem uma descrição do ambiente percorrido… com detalhes! Nem é necessário falar da felicidade de quem utiliza o serviço.

Ou, a emoção da mãe do menino portador da síndrome de down. Sabia que o filho demoraria mais para articular as primeiras palavras. Tempos depois que outras crianças da mesma idade já diziam praticamente tudo, veio a primeira surpresa: som que jura ter sido “mãe”, que se não foi inteligível na primeira vez acabou se tornando claro, sonoro e desafiador como a marca de uma das tantas conquistas…

No meu caso: no pátio tenho um pé de Camélia. Chamo de rosa do inverno, porque neste tempo se torna exuberante pelo porte altivo e quantidade de flores. Sempre que chega uma amiga, ofereço algo simples, mas capaz de mudar uma fisionomia, alegrar um olhar e dar um novo significado a uma relação, sem necessitar de palavras, apenas transparecendo o quanto um pequeno gesto torna pessoas mais próximas…

Na verdade, é exatamente o que são… As pequenas coisas simples, que parecem bobas, fazendo o dia a dia: numa singela mudança de rotina ou nas surpresas que acontecem em nossas relações e desacomodam, dando um novo ângulo para a vida. E ainda tem mais: o amigo que mora sozinho e diz que fala com as plantas; a amiga que redescobriu desenhos animados da sua infância; aquela que não consegue dançar num grupo, mas se vê gingando enquanto limpa a casa…

Cada qual descobre o jeito de fazer a vida ter sentido. Pode-se dizer que uma boa viagem, um bom show, uma boa peça de teatro, a ida a um jogo de futebol… tudo isto é capaz de dar um “up” motivacional. Porém, isto não acontece sempre. O dia a dia é feito para se valorizar encontros: a viagem de ônibus e a conversa com o cobrador; o idoso na varanda esperando que alguém o cumprimente; a criança que provoca e se esconde atrás da mãe; aqueles que trazem as “notícias” mais recentes da rua. A vida… a vida que continua, flui e precisa ser feita, também, de pequenas coisas bobas…

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