Pensar em pandemia, pensar em educação

O jornalista Boke Carter deixou um registro sarcástico da cobertura do segundo grande conflito mundial, que terminou em 1945, um ano depois da sua morte: “em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade”. Quando especialistas compararam a pandemia com uma guerra, achei exagero. Mas as previsões se confirmaram e, embora o pior da crise não viesse em janeiro e fevereiro, como vaticinaram, estourou em toda a sua crueza no mês de março, quando a população de uma cidade de porte médio – 300 mil habitantes – foi dizimada, preocupando o sistema de saúde e funerário!

As mídias que reproduzem discursos de “autoridades responsáveis” dão conta de que “o pior já passou”, quando números mostram o contrário: mais de três mil mortos por dia, UTIs esgotadas e funerárias negando atendimento a famílias desesperadas pelo enterro de um ente querido. A estatística que começa a melhorar na internação de situações leves não dá esperança para quem está entubado e faz parte do pior cenário, em que os casos são, praticamente, irreversíveis……

A população transformou-se em joguete entre quem sabe (ciência, pesquisadores, profissionais da saúde, mas, muitas vezes, não tem a “manha” para dizer) e quem defende a economia e se traveste de “cuidador”, mas não possui coerência entre discurso e prática, com medo das consequências políticas. Não é somente o presidente fazendo de conta que o problema não existe, mas os demais poderes insistindo em melindres, guerras de beleza e egos exacerbados, que paralisam o país.

Boa parte da população é mal educada e somente está se dando conta do problema ao ver vizinhos e familiares morrendo ou sofrendo as consequências da pandemia. Os zumbis urbanos não precisam nem que o comércio esteja aberto para andarem pelos calçadões. Se não forem tomadas medidas drásticas para que fiquem em casa o comportamento continuará o mesmo e, em nome de um suposto “democratismo”, o Brasil torna-se, hoje, o país onde mais se morre pelo coronavírus…

Não acreditei quando ouvi pela primeira vez que os “velhinhos” vacinados acham que já podem cair na gandaia! Errado. Falta a segunda dose e o tempo para surtir efeito. E mais: do medo que tinham de que outros trouxessem para dentro de casa o vírus, agora podem se transformar em portadores e distribuidores do mal de que tanto fugiram. Vamos sossegar, em casa, sabendo que, especialmente aposentados, já ficaram um ano em isolamento e não lhes custa o resguardo por mais uns meses…

Preocupa constatar que, entre os atuais líderes políticos, não há um agregador que todos entendam. De um jeito ou de outro, a pandemia vai acabar controlada, mas a que preço? O país do futuro está perdendo o trem da história… Porém, quando falha a política partidária e os poderes estabelecidos, novos atores precisam entrar em cena: desafio para comunicadores, líderes sindicais, religiosos, formadores de opinião… Historicamente, um país tem perspectiva quando o povo muda o jeito de pensar e, consequentemente, seu modo de vida. Jornada longa e difícil, que se chama educação…

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome