“Pátria amada, Brasil”…

Embora o gaúcho não goste de se reconhecer como emotivo, quando chega a Semana da Pátria e a Semana Farroupilha, nossos símbolos, ficam mais em evidência e as cerimônias que envolvem a bandeira, o hino, a chama acesa são motivo de orgulho. Despertam sentimentos adormecidos, porque não dizer, embotados, durante o ano, quando a preocupação acaba sendo, literalmente, tocar a vida…
O emprego indevido por grupos de muitas matizes ideológicas – mais preocupados em utilizar-se da população do que em servi-
la – desgastou o que deveria unir quem vive numa mesma terra e almeja, simplesmente, o direito de ser feliz. Gaúchos e brasileiros quando vão às ruas vestindo verde e amarelo ou alguma cor em protesto não estão se insurgindo contra os símbolos, mas sabendo que são exatamente isto… símbolos!
Símbolos nacionais são a liga, reunindo pessoas que suplantam preconceitos por elementos básicos como a educação e a solidariedade. A primeira não sendo apenas adicionar conhecimentos, mas capacidade de discernir entre o lobo e cordeiro, o verdadeiro e o falso, bons e maus… a segunda é capaz de criar mentalidade que supera o individualismo, aproximando e aparando as arestas da desigualdade.
No sábado, 7 de setembro, a televisão recuperou imagens da campanha que beneficiou o sertão nordestino. Entre as doações, um par de chinelos infantil. Na sola, escrito que já havia dado bom uso, agora, que outra criança o fizesse. Também, o menino que aprendeu a ler aos 10 anos com os gibis do Maurício de Sousa. Aos 13, ajuda a tia e a mãe a sustentar a casa vendendo panos de prato e reserva parte para comprar livros…
Bondade e persistência não nos faltam. Mas para que a “Pátria amada, Brasil” veja cidadãos amadurecendo, precisa transformar-
se em gente solidária e educada. Nas coisas simples: grita-se contra a corrupção e se pede que o guarda retire a multa; discursa-se contra a prefeitura que não limpa as sarjetas, mas atira-se lixo nas calçadas; e se exercita a Lei de Gerson: “é preciso levar vantagem em tudo, certo?”
JJ Camargo diz no seu texto “Coragem para ser otimista” que há uma receita para a realização pessoal. Creio que vale para um povo: determinação insubmissa; resistência diante dos fracassos; coragem para se manter no comando; vontade para vencer a acomodação e a preguiça; otimismo para acreditar que tudo vai melhorar.
Está tudo nas mãos dos brasileiros… é preciso atitude para cobrar investimentos em educação, postura solidária e convicção em exigir dos políticos destinação das riquezas no maior de todos os bens: a criança. Embrião da nova mentalidade, onde os símbolos dão sentido ao que almejamos: “paz no futuro e glória no passado” e que se torne uma realidade: “dos filhos deste solo és mãe gentil. Pátria amada, Brasil!”

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