Sempre que a data comemorativa ao Dia dos Pais se aproxima surgem com mais força as lembranças daquele que me gerou.
Um homem que soube se fazer amado, admirado e respeitado. Uma figura que conquistou caminhos, cruzando os ares em jatos velozes, e que adorava pescar nas águas dos rios na simplicidade de suas raízes. Um homem que fez mais amigos do que posso enumerar.
Era chamado pelos amigos de colégio de Mussolini. Isso porque, num desfile do Colégio Municipal Pelotense, representou aquele líder político com o qual tinha alguma semelhança fisionômica. A partir de então, se sacramentou o apelido. Foi tripulante de aeronaves por mais de 30 anos e conheceu boa parte do mundo, mas tinha predileção pela tranquilidade das margens da Lagoa dos Patos.
Prematuramente, ele partiu. Constatei que nunca mais o veria. Não ouviria sua voz amiga, nem poderia voltar a abraçá-lo. Senti-me como um barco à deriva, sem remos, sem vela e, principalmente, sem bússola. Estava órfã. Dali em diante, era tudo comigo. Teria que conviver com o que ele deixara, através de seus exemplos e ensinamentos. Precisei buscar na memória a sua voz me ensinando a ver os dois lados da moeda da vida.
Foram muitos os momentos em que precisei ser forte, valente e determinada. E fora ele quem me mostrara como caminhar entre as gentes, “a sentar com reis e com mendigos”, “a conhecer um cego dormindo e um coxo sentado”. Acima de tudo, me deixou como herança tesouros de valores, princípios e verdades.
Pai é aquele que ama incondicionalmente e mostra o rumo mais seguro, como um farol. Belíssima missão.
Abraço aqui, aos pais, que não são o meu, mas que merecem por si mesmos, a minha felicitação, por serem para os seus filhos a imagem do porto seguro.
Ao pai silencioso, ao pai falante, ao pai exigente e ao compreensivo. Ao que participa e ao que observa, ao que dá conselhos e ao que repreende. Ao pai que embala e ao que se emociona. Ao pai que grita e ao que murmura. Ao pai que sorri e ao que chora. Ao pai que abraça mais do que é abraçado e ao que recebe menos do que dá. Ao pai que sofre a dor do filho e ao que se regozija com suas alegrias. Ao pai que participa e ao que se omite. Ao pai que é pai, acima de qualquer coisa, porque é filho também e sabe a “barra” que é participar dos elos da corrente.
Ao pai que os meus filhos serão na sequência natural da vida.
Ao pai que é o nosso de cada dia, mesmo que viva apenas na lembrança que, muitas vezes, é a presença maior.
O meu abraço apertado no Pai que me deu um pai exatamente como eu queria e que, mesmo à distância, continua a olhar por mim desde outras dimensões.



