Ocupação de antigos banhados faz nobres ajudarem pobres para ambos não afundarem juntos

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Há uma semana, nós, moradores de Pelotas e Zona Sul, éramos teles­pectadores de uma das maiores, senão a maior tragédia ou catástrofe causada por um evento climático que destruiu grande parte do Estado, atingindo 425 municípios dos 497 que integram o Rio Grande do Sul.

Tudo começou pela região dos Vales, na área central do Estado, e se es­tendeu para outras áreas, como o Vale do Taquari, que já havia sofrido com as enchentes em 2023, indo até a capital Porto Alegre.

Agora, a preocupação, angústia e o medo batem a nossa porta, na Zona Sul. De São Lourenço do Sul até o Chuí e de Jaguarão a Pelotas, esta­mos sob intenso risco de uma enchente sem precedentes.

Toda água acumulada no lago do Guaíba terá que escoar para o ocea­no e para isso terá que passar pela Lagoa dos Patos e pelo canal São Gonçalo para chegar a Rio Grande, nos Molhes da Barra, e somente nesse ponto sairá para o oceano.

Enquanto isso não acontece, vivemos momentos de muita apreensão, medo e sobretudo de indecisão. É o caso das pessoas que devem deixar suas casas por estarem em zona de risco de inundação. Haja equilíbrio emocional nessa hora!

É mais do que necessário manter o equilíbrio entre o desejo e a reali­dade. As boas notícias sobre a redução do nível da lagoa e do canal São Gonçalo atendem nosso desejo que a água das chuvas acumulada no Guaíba vá para o oceano sem causar nenhum transtorno pelo caminho. Desejo atendido, pelo menos até a quinta-feira, 9 de maio.

Tempos de viver um dia de cada vez, pois cada minuto, cada hora, cada dia são únicos, isso pressupõe o entendimento que a redução do ní­vel da Lagoa e do canal São Gonçalo não deve ser motivo de euforia nesse momento.

Tolerância, equilíbrio, paciência e prudência são atributos necessários para enfrentarmos as consequências do que o homem fez e continua a fazer com o planeta nas cidades. Avançaram com áreas urbanas até as margens dos rios, arroios e canais. Não existem mais áreas de ba­nhados, que servem como esponja, encharcam quando do aumento do volume dos corpos hídricos.

Em Pelotas, o poder público e o mercado imobiliário impermeabili­zaram algumas áreas com concreto, cimento e areia. Construções de nobres e pobres ocuparam banhados que serviam para expansão da Lagoa dos Patos e do Canal São Gonçalo. Agora, nestes locais, nobres ajudam pobres para ambos não afundarem juntos.

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